Perseguidos por defenderem direitos LGBTI+ na Turquia - Amnistia Internacional Portugal

Perseguidos por defenderem direitos LGBTI+ na Turquia

Em Ancara, na Turquia, os estudantes da Universidade Técnica do Médio Oriente que pretendiam celebrar a marcha anual do orgulho LGBTI+ foram impedidos pela polícia, que recorreu ao uso excessivo da força para os dispersar. Agora, estes estudantes estão acusados de “reunião ilegal”.

Mas uma reunião pacífica não é um crime. Todos devem ser absolvidos.

 

Desde o primeiro dia que os estudantes de biologia Melike Balkan e Özgür Gür se dedicam a defender os direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexo (LGBTI+) na sua Universidade.

Enquanto proeminentes membros do Grupo de Solidariedade LGBTI+ da Universidade Técnica do Médio Oriente (METU), em Ancara, têm organizado inúmeras marchas, encontros e outras iniciativas, mobilizando cada vez mais pessoas contra a brutal repressão à sociedade civil na Turquia.

Fundado em 1996, o Grupo de Solidariedade LGBTI+ organiza vários eventos, entre os quais a marcha anual do orgulho LGBTI+. A marcha, que acontece nessa universidade desde 2011 e que todos os anos cresceu em tamanho e visibilidade, estava marcada para o dia 10 de maio de 2019. Mas, nesse ano, tudo mudou. Mesmo não existindo nenhuma lei ou norma que proibisse a marcha (e tendo até um tribunal administrativo declarado ser inconstitucional proibir este tipo de eventos, já em 2017) a universidade não permitiu que os estudantes organizassem este evento.

Temos de compreender o que o Pride [marcha de orgulho LGBTI+] significa para as pessoas. No Pride podes ser tu mesmo/a, totalmente. Isso é um sentimento importante e com um enorme poder terapêutico.

Özgür Gür

Decididos a não ficar em silêncio, os membros do Grupo organizaram um protesto pacífico em que os participantes se sentaram no chão do campus. Em resposta, a universidade chamou a polícia, que respondeu com força excessiva contra os estudantes, chegando mesmo a recorrer a gás lacrimogéneo. As autoridades detiveram pelo menos 23 estudantes – incluindo Melike e Özgür – e um académico, sendo que alguns dos detidos nem sequer participaram no protesto. Neste momento, apesar de apenas terem exercido o seu direito a protestarem pacificamente, 18 estudantes e um académico enfrentam julgamento.

Se considerados culpados, arriscam-se a uma condenação de até 3 anos de prisão.

Assine a petição dirigida ao ministro da Justiça na Turquia, Abdülhamit Gül, e apele a que todas as acusações sejam retiradas. Defender os direitos humanos não pode ser considerado crime. Estes jovens não fizeram nada de errado.

Todas as assinaturas serão enviadas pela Amnistia Internacional.