14 Janeiro 2019

Amade Abubacar, um jornalista da rádio Comunitária Nacedje, na província de Cabo Delgado, foi detido no passado dia 5 de Janeiro pela polícia do distrito de Macomia, em Moçambique. A polícia confiscou-lhe o telemóvel, algemou-o e levou-o para a esquadra de Macomia. Amade Abubacar foi detido quanto entrevistava civis deslocados internos que fugiram das suas casas devido à intensificação de ataques violentos a norte de Cabo Delgado. Amade Abubacar está detido em regime de incomunicabilidade, não foi oficialmente acusado de nenhum crime e não lhe foi concedido acesso a um advogado.

“Os jornalistas como ameaça”

“Amade Abubacar é um jornalista respeitado que estava a recolher testemunhos sobre pessoas que fugiam dos mortíferos ataques em Cabo Delgado quando foi capturado pela polícia. Esta é a mais recente demonstração de desprezo pela liberdade de expressão e de informação por parte das autoridades moçambicanas, que veem os jornalistas como uma ameaça e os tratam como criminosos,” declarou Tigere Chagutah, Diretor Adjunto da Amnistia Internacional para a África Austral.

“Amade Abubacar está a ser mantido sob detenção, incomunicável, sem acesso a um advogado ou respeito pelo devido processo. As autoridades moçambicanas devem libertá-lo imediata e incondicionalmente, e garantir que os jornalistas podem desempenhar as suas funções sem receio de represálias”, garante ainda o responsável.

Amade e outros casos idênticos

Numa região em que existe um escalar da violência por parte de grupos armados, a missão dos jornalistas tem sido dificultada, com as autoridades a serem um fator dissuasor na busca da verdade. Tal como Amade Abubacar, também um outro jornalista, Estácio Valoi, foi detido em Dezembro do ano passado, de forma autoritária. Estácio acabou por ser libertado posteriormente, sem qualquer tipo de acusação, mas o seu material de trabalho continua na posse do exército. Também em 2018, um outro jornalista, de uma estação televisiva da África do Sul, foi detido enquanto trabalhava.

Para Tigere Chagutah, as prioridades têm de ser revistas por quem de direito: “Em vez de tomarem como alvo os jornalistas que estão a cumprir com a sua missão de informar e a cobrir os ataques em Cabo Delgado, as autoridades moçambicanas deveriam estar a tentar compreender as raízes da violência e a agir para proteger os civis”, conclui.

Jornalista moçambicano detido arbitrariamente

Jornalista moçambicano detido arbitrariamente

Detido quando entrevistava pessoas que tinham fugido das suas casas devido à intensificação de violentos ataques

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