9 Março 2026

 

  • Ordens de evacuação generalizadas semearam pânico e terror, deslocaram centenas de milhares de pessoas e alimentaram nova catástrofe humanitária
  • Muitos civis, incluindo idosos, crianças e pessoas com deficiência, não podem fugir ou podem não ter nenhum local seguro para onde ir
  • Menos de 100 horas após a escalada dos combates no Líbano, mais de 300 000 pessoas tinham sido deslocadas em todo o país

 

 

A Amnistia Internacional reagiu à repetição de ordens de evacuação excessivamente amplas por parte de Israel em todo o Líbano nos últimos quatro dias e que incluiu mais de 100 aldeias e cidades no sul e leste do país, bem como toda a zona sul de Beirute, deslocando centenas de milhares de pessoas. Kristine Beckerle, diretora regional adjunta para o Médio Oriente e Norte de África da Amnistia Internacional, afirmou a propósito que “os civis no Líbano estão, mais uma vez, a ser obrigados a fugir em massa por um exército que repetidamente demonstrou a sua disposição de infligir danos significativos à população civil através de ataques ilegais em rondas anteriores de combates”.

A responsável disse ainda que “as ordens de evacuação generalizadas semearam o pânico e o terror, deslocaram centenas de milhares de pessoas e alimentaram mais uma catástrofe humanitária para uma população já exausta e abalada por múltiplas crises”.

Para Kristine Beckerle, “os avisos excessivamente amplos que abrangem vastas áreas do Líbano não constituem garantias eficazes de proteção. Não fornecem informações significativas sobre onde ou quando as forças armadas israelitas poderão atacar e não oferecem aos civis o nível de orientação necessário para tomarem decisões informadas sobre se devem fugir ou por quanto tempo. Muitos civis, incluindo idosos, crianças e pessoas com deficiência, não podem fugir ou podem não ter nenhum local seguro para onde ir”.

“Emitir ordens de evacuação em massa não concede ao exército israelita o direito de tratar estas áreas como zonas de fogo aberto, nem isenta Israel das suas obrigações – ao abrigo do direito internacional humanitário – de proteger os civis e tomar todas as precauções viáveis para minimizar os danos aos civis, onde quer que estejam. Nas 24 horas desde a ordem de evacuação em massa dos subúrbios do sul de Beirute, por exemplo, o exército israelita realizou repetidos ataques aéreos, muitos sem aviso prévio”, apontou.

“Emitir ordens de evacuação em massa não concede ao exército israelita o direito de tratar estas áreas como zonas de fogo aberto, nem isenta Israel das suas obrigações – ao abrigo do direito internacional humanitário – de proteger os civis e tomar todas as precauções viáveis para minimizar os danos aos civis, onde quer que estejam.”

Kristine Beckerle

“O uso repetido de avisos excessivamente amplos, juntamente com a destruição extensiva de propriedades civis pelo exército israelita em mais de duas dezenas de municípios ao longo da fronteira do Líbano, tanto antes como depois da entrada em vigor do cessar-fogo, levanta sérias preocupações de que algumas dessas ordens de evacuação em massa tenham como objetivo deslocar civis à força, o que é proibido pelo direito internacional humanitário”, sustentou Beckerle.

“A impunidade absoluta de que Israel tem gozado após rondas anteriores de combates abriu caminho para que essas mesmas violações do direito internacional se repetissem, colocando, mais uma vez, os civis em grave risco. Instamos as partes em conflito a cumprir suas obrigações nos termos do direito internacional humanitário, a proteger os civis e a abster-se de ataques ilegais”, acrescentou.

 

Contexto

Menos de 100 horas após a escalada dos combates no Líbano, de acordo com o Conselho Norueguês para os Refugiados, mais de 300 000 pessoas tinham sido deslocadas em todo o país. A 6 de março, o Centro de Operações de Emergência de Saúde Pública do Líbano, afeto ao Ministério da Saúde Pública, anunciou que 217 pessoas tinham sido mortas e 798 feridas desde a escalada dos combates a 2 de março, e que mais de 110 000 dos deslocados estavam em abrigos coletivos.

Entre 3 e 6 de março, as forças armadas israelitas emitiram uma série de ordens de evacuação instruindo os residentes de cidades e vilarejos inteiros no sul do Líbano e áreas do Vale de Bekaa a deixar as localidades. Entre elas, uma de 5 de março, na qual as forças armadas de Israel ordenaram que toda a população que vivia a sul do rio Litani partisse “imediatamente” para sua “segurança”.

A 5 de março, as forças armadas israelitas emitiram outra ordem de evacuação geral, desta vez para todos os residentes de Dahieh, subúrbios densamente povoados ao sul de Beirute. Enquanto os residentes se apressavam para fugir, as estradas ficaram congestionadas durante horas, com residentes tomados pelo medo a fugir em carros ou a pé, carregando o que podiam.

O Hezbollah e Israel envolveram-se em hostilidades transfronteiriças depois de o grupo ter lançado ataques ao norte de Israel, na sequência do início das hostilidades entre Israel e o Hamas, na Faixa de Gaza ocupada, em outubro de 2023. Apesar de ter sido acordado um cessar-fogo em 2024, Israel continuou a levar a cabo ataques quase diários, principalmente no sul do Líbano e na região de Bekaa, matando pelo menos 127 civis enquanto o cessar-fogo estava em vigor.

A 2 de março de 2026, o Hezbollah lançou uma série de ataques contra Israel em resposta ao assassinato do líder supremo iraniano Ali Khamenei, após um ataque dos EUA e de Israel ao Irão. Desde outubro de 2023, a Amnistia Internacional documentou os ataques ilegais de Israel contra civis e alvos civis, o uso de fósforo branco e a destruição extensiva nas aldeias fronteiriças do Líbano, bem como os repetidos disparos de foguetes não guiados do Hezbollah contra áreas civis em Israel. Todos devem ser investigados como crimes de guerra.

 

Perguntas Relacionadas

O que levou à emissão de ordens de evacuação em massa no Líbano pela parte do exército israelita?

As ordens de evacuação em massa no sul do Líbano foram emitidas pelo exército israelita no contexto de uma escalada do conflito na região, com receio de operações militares iminentes. A situação reflete o aumento das tensões entre Israel e o Hezbollah, grupo armado baseado no Líbano, que tem trocado ataques com forças israelitas nas últimas semanas.

Que zonas do Líbano foram afetadas pelas ordens de evacuação?

As ordens de evacuação abrangem principalmente as áreas do sul do Líbano, próximas da fronteira com Israel. Estas zonas incluem várias aldeias e cidades onde a população civil foi instada a deslocar-se para locais considerados mais seguros, devido ao risco de confrontos armados.

Qual tem sido o impacto destas ordens na população civil libanesa?

As ordens de evacuação geraram pânico generalizado entre a população civil, que se viu obrigada a abandonar as suas casas em curto prazo. Muitas famílias enfrentam dificuldades logísticas, como a falta de transporte, alojamento ou recursos básicos, além do medo de deixarem para trás os seus bens e meios de subsistência. A incerteza sobre o regresso também agrava a ansiedade.

Que papel tem o Hezbollah neste conflito que levou às evacuações?

O Hezbollah, um grupo armado e político libanês apoiado pelo Irão, tem sido um dos principais atores no conflito com Israel. As trocas de fogo entre o Hezbollah e as forças israelitas intensificaram-se recentemente, o que contribuiu para a decisão de Israel emitir ordens de evacuação. O grupo tem capacidade para lançar ataques com mísseis e drones, aumentando o risco de uma escalada militar mais alargada.

Que medidas de proteção estão a ser tomadas para os civis afetados pelas evacuações?

Até ao momento, as medidas de proteção para os civis são limitadas e dependem em grande parte de iniciativas locais ou de organizações humanitárias. Muitas pessoas deslocam-se para escolas, mesquitas ou abrigos improvisados, enquanto agências como a Amnistia Internacional têm alertado para a necessidade de corredores humanitários seguros e assistência urgente. No entanto, a resposta internacional ainda não é suficiente para cobrir todas as necessidades.

Qual é o risco de uma escalada mais grave do conflito entre Israel e o Hezbollah?

O risco de uma escalada significativa é elevado, dado o histórico de hostilidades entre Israel e o Hezbollah, bem como o contexto regional mais amplo, que inclui tensões com o Irão. Analistas receiam que os ataques recíprocos possam despoletar uma guerra em larga escala, com consequências devastadoras para os civis de ambos os lados da fronteira. A Amnistia Internacional tem vindo a sublinhar a urgência de um cessar-fogo para evitar uma catástrofe humanitária.

⚠️ Este painel de questões relacionadas foi criado com IA mas revisto por um humano.

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