“Embora a distância seja penosa, temos de manter a esperança” - Amnistia Internacional Portugal

7 Maio 2017

O dia da mãe é um dia triste para as mães de Abdullah al-Zaher, Dawood al-Marhoon, Ali al-Nimr e Abdulkareem al-Hawaj. Os quatro jovens da Arábia Saudita foram presos quando eram menores e condenados à morte após julgamentos brutalmente injustos, baseados em “confissões” que dizem terem sido extraídas sob tortura.

Porém este dia, que no mundo árabe se assinala a 21 de março, é também de esperança e de orações para que os filhos sejam postos em liberdade. Quando se assinala o Dia da Mãe em Portugal, mostramos o que estas quatro mães – Fatima al-Azwi, Amina al-Safar, Nassra al-Ahmed e Amina al-Mustafa – têm para partilhar. Em dias como o de hoje, é assim que elas se sentem.

 


Fatima al-Azwi: mãe de Abdullah al-Zaher

Em dias como o de hoje, sinto que sufoco. Passar o Dia da Mãe com o meu filho tão longe parte-me o coração. Para todas as mulheres que sentem a mesma dor e tormento, só posso dizer: sejam fortes e pacientes. Tudo o que temos é uma oração incessante.

Lembro-me dos dias alegres que passei com o Abdullah. Éramos uma família bonita e feliz. Mas tudo mudou quando foi preso. Os meus dias são sombrios e cheios de tristeza. Não me lembro sequer o que sentimos quando somos felizes. Anseio pelo dia em que o meu filho volte para mim. Tenho tantas saudades dele que o meu coração podia explodir com tanta tristeza.

Para mim, o Dia da Mãe é como qualquer outro dia. Como todos os dias em que desejo a libertação de Abdullah e de todas as crianças que, como ele, estão a ser mantidas presas. O meu apelo neste dia é pela libertação do meu filho e de todos os outros filhos e filhas que estão presas injustamente. Tudo o que peço é misericórdia.

 


Amina Al Safar: mãe de Dawood al-Marhoon

A maternidade é um presente de Deus – um belo presente. Mas sermos afastados dos nossos próprios filhos, não importa que idade eles tenham, é insuportável.
Dawood é o mais precioso para o meu coração, mais do que os irmãos porque o meu amor por ele não lhe chega quando ele está tão longe. Só uma mãe pode entender o que significa tirarem-nos o nosso filho.
Não há nada que possa dizer a uma mulher que esteja na mesma situação que eu para a consolar. Mas não podemos perder a esperança. Não podemos entrar em pânico. Temos de nos lembrar que Deus os vai proteger e que embora a distância seja penosa, temos de manter a esperança.

Nunca precisei de um Dia da Mãe – todos os dias com o meu filho eram de alegria e amor. Agora, nem tolero o dia de hoje. Não consigo suportar mais anos sem o ter aqui, ao meu lado. Que dia é este afinal senão o dia para recebermos amor e atenção dos nossos filhos? E como é que isso pode acontecer quando ele está tão longe?
Como crente, só posso rezar para que o meu filho volte para mim.

 


Nassra al-Ahmed: mãe de Ali al-Nimr

Todas as manhãs acordo com a dolorosa esperança de que o Ali vai regressar nesse dia. Talvez ouça a campainha da porta tocar e o veja ali de pé, na entrada de casa.
O sol nasceu neste Dia da Mãe sem o Ali e vai pôr-se sem ele. Ouço a voz dele a dizer: “Feliz Dia da Mãe, mamã!” e só quero chorar.
Sinto muito a falta dele e preocupo-me. Ele está sempre no meu pensamento. Tudo me lembra o meu filho. Ele costumava gostar desta música. Ele gostava deste prato. Ele preferia isto, ou aquilo.
A minha única razão de viver neste momento é a esperança de ver o Ali livre outra vez. Não tenho nenhuma outra razão para viver. Ele está longe de nós há cinco anos, sem amor ou misericórdia, numa prisão fria e implacável.

Mas somos firmes na nossa fé e na confiança no Deus misericordioso e rezamos para que o Ali seja liberto e regresse para nós em breve. Aguardo pelo dia em que as nuvens vão embora e o sol brilhante regresse para invadir as nossas vidas novamente com calor – um calor que vai dissolver toda esta dor.
O Ali tem direito à liberdade – e nós todos também.

 


Amal al-Mustafa: mãe de Abdulkareem al-Hawaj

Como é que posso aproveitar o Dia da Mãe sem o Abdulkareem?
Sinto tanto a falta dele. Desejo com todos os ossos do meu corpo poder agarrá-lo e beijá-lo e dizer-lhe o quanto o amo.
Eu rezo para que seja libertado. Rezo para que seja absolvido de todas as acusações injustas.

Peço a todos vocês que estão a ler isto que me compreendam: podem imaginar como é olharem para o vosso filho, injustamente mantido atrás das grades e ser impossível fazerem alguma coisa para o ajudarem? É um sentimento de impotência, mas só posso ser paciente e acreditar que um dia ele vai regressar.

 


 

A Amnistia Internacional está a pedir ao rei Salman, da Arábia Saudita, que anule as condenações de Abdullah al-Zaher, Dawood al-Marhoon, Ali al-Nimr e Abdulkareem al-Hawaj, presos quando eram adolescentes e condenados à pena capital depois de terem participado em protestos.
Basta enviar mensagem de Twitter para @KingSalman: “Quash death sentences of Abdullah, Dawood, Ali, Abdulkareem, teens arrested after taking part in protest @KingSalman”

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