23 Janeiro 2026

 

  • Conselho da Paz global revela um desrespeito gritante pelo direito internacional e pelos direitos humanos e representa nova manifestação do ataque crescente aos mecanismos das Nações Unidas, às instituições de justiça internacional e às normas universais
  • É uma afronta a décadas de esforços para fortalecer a governança global através da adesão a valores universais e uma maior igualdade entre os Estados-membros, e prejudica os esforços legítimos para lidar com as limitações e lacunas do sistema atual
  • Agora é precisamente o momento em que o direito internacional deve ser respeitado, defendido e aplicado, e não abandonado em detrimento de acordos ad hoc moldados e distorcidos por interesses políticos e económicos, ambição pessoal ou vaidade

 

 

A cerimónia de 22 de janeiro liderada pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, que marca a criação do chamado “Conselho da Paz” global, revela um desrespeito gritante pelo direito internacional e pelos direitos humanos.

Para a Amnistia Internacional, representa também uma nova manifestação do ataque crescente aos mecanismos das Nações Unidas, às instituições de justiça internacional e às normas universais.

Sob a direção do seu futuro presidente, Donald Trump, e com membros compostos por aliados dos EUA, incluindo alguns chefes de Estado que Trump convidou pessoalmente, o mecanismo putativo está fundamentalmente em desacordo com o sistema jurídico internacional que sustenta a ordem global.

Sob a direção do seu futuro presidente, Donald Trump, e com membros compostos por aliados dos EUA, incluindo alguns chefes de Estado que Trump convidou pessoalmente, o mecanismo putativo está fundamentalmente em desacordo com o sistema jurídico internacional que sustenta a ordem global.

“É uma afronta a décadas de esforços para fortalecer a governança global através da adesão a valores universais e uma maior igualdade entre os Estados-membros, e prejudica os esforços legítimos para lidar com as limitações e lacunas do sistema atual”, aponta a Amnistia Internacional, numa publicação na rede X (ex-Twitter).

“Agora é precisamente o momento em que o direito internacional deve ser respeitado, defendido e aplicado, e não abandonado em detrimento de acordos ad hoc moldados e distorcidos por interesses políticos e económicos, ambição pessoal ou vaidade”, conclui o texto.

 

Contexto

No dia 7 de janeiro, a Administração Trump anunciou a retirada dos EUA de 66 organizações, convenções e tratados internacionais. Em resposta ao anúncio feito pela administração Trump, Erika Guevara Rosas, diretora sénior de investigação, advocacy, políticas e campanhas da Amnistia Internacional, afirmou tratar-se “de um ataque vingativo e imprudente à legitimidade e integridade das Nações Unidas e à ordem internacional baseada em regras que tem sido a base da cooperação global nos últimos 80 anos”.

Segundo a responsável da Amnistia Internacional, “com este último de uma série de ataques prejudiciais, o presidente Trump está, vergonhosamente, a redobrar os seus esforços para destruir o sistema multilateral que os EUA ajudaram a construir a partir das cinzas da Segunda Guerra Mundial, no sentido de garantir os direitos humanos universais e a proteção de todas as pessoas”.

 

Perguntas Relacionadas

O que é o Conselho da Paz mencionado pela Amnistia Internacional e por que está a ser criticado?

O Conselho da Paz refere-se a uma iniciativa proposta pela Rússia para criar um órgão alternativo de mediação de conflitos, que a Amnistia Internacional classifica como uma tentativa de contornar instituições internacionais estabelecidas, como a ONU. A crítica deve-se ao facto de esta proposta ignorar princípios fundamentais do direito internacional, incluindo a soberania dos Estados e a proibição do uso da força, além de legitimar ações militares injustificadas, como a invasão da Ucrânia.

Que princípios do direito internacional são violados pelo Conselho da Paz, segundo a análise da Amnistia Internacional?

De acordo com a organização, o Conselho da Paz desrespeita vários pilares do direito internacional, nomeadamente o princípio da não agressão entre Estados, a integridade territorial e a autodeterminação dos povos. Além disso, a proposta enfraquece o sistema multilateral baseado em regras, como o previsto na Carta das Nações Unidas, ao promover soluções que beneficiam interesses geopolíticos específicos em detrimento da justiça e da legalidade.

Que alternativas existiam já antes da proposta do Conselho da Paz para resolver conflitos internacionais?

Antes desta iniciativa, os mecanismos reconhecidos internacionalmente incluíam órgãos como o Conselho de Segurança das Nações Unidas, os tribunais internacionais (ex.: Tribunal Penal Internacional) e processos de mediação liderados por entidades neutras, como a ONU ou a OSCE. Estes sistemas baseiam-se em normas acordadas globalmente e visam garantir soluções justas e imparciais, ao contrário do Conselho da Paz, que a Amnistia Internacional considera parcial e politizado.

Por que razão a Amnistia Internacional considera o Conselho da Paz uma "ameaça à ordem baseada em regras"?

A organização argumenta que o Conselho da Paz, ao ser controlado por Estados com históricos de violações do direito internacional (como a Rússia), minaria a credibilidade das instituições globais existentes. Ao criar um paralelo à ONU, este órgão corre o risco de normalizar a impunidade para crimes de guerra e outras violações graves, substituindo o consenso internacional por decisões ditadas por potências com interesses particulares, o que fragilizaria a estabilidade global.

Que consequências a longo prazo poderão resultar da implementação do Conselho da Paz, segundo a análise?

A Amnistia Internacional adverte que, a longo prazo, este Conselho poderia incentivar outros Estados a ignorar as resoluções da ONU e a agir unilateralmente em conflitos, aumentando o risco de guerras e ocupações ilegais. Além disso, a legitimação de narrativas distorcidas sobre conflitos (como a guerra na Ucrânia) poderia erodir a confiança nos direitos humanos universais e no próprio conceito de justiça internacional, abalando a cooperação entre nações.

⚠️ Este painel de questões relacionadas foi criado com IA mas revisto por um humano.

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