Da China à Síria, do Quénia ao Egito, raparigas e mulheres desafiam as normas e corajosamente arriscam as suas vidas em defesa daquilo em que acreditam. Ativistas, advogadas, irmãs e estudantes, estas mulheres colocaram as suas vidas em perigo, lutaram por justiça por entes queridos que perderam e defenderam desconhecidos. Agora é a sua vez de brilharem e se destacarem.

Conheça estas inspiradoras mulheres que defendem direitos humanos em todo o mundo!

1. Wu Rongrong, China

Wu Rongrong é mais conhecida por ser uma das “Cinco Feministas” da China – um grupo de mulheres detido em 2015 por planear uma campanha que visava denunciar o assédio sexual. As detenções, que coincidiram com o Dia Internacional da Mulheres, gerou indignação internacional, conseguindo o apoio de pessoas como Hillary Clinton. Apesar das mulheres terem sido libertadas, as “Cinco Feministas” ficaram sob vigilância.

Ao longo do seu ativismo enfrenta várias dificuldades, sendo a maior o próprio reconhecimento dessas dificuldades. “As mulheres enfrentam muitos desafios ao longo das suas vidas, mas muitos desses assuntos permanecem invisíveis”, refere Wu Rongrong.

2. Noura Ghazi Safadi, Síria

Para a defensora de direitos humanos síria Noura Ghazi Safadi, defender os direitos de prisioneiros de consciência é um ato que reflete amor, esperança e família. Nascida em Damasco, em 1981, Noura é advogada há muitos anos, e o seu trabalho é focado em direitos humanos, detenções e desaparecimentos. Conheceu cedo as violações de direitos humanos contra prisioneiros de consciência quando o seu pai foi detido. O seu marido Bassel Khartabil Safadi, um ativista digital preso pelo governo sírio em 2012, foi executado em 2015.

Noura justifica a sua ação com a sua experiência pessoal na matéria: “sinto que as mulheres estão mais preparadas para lidar com estes assuntos devido ao papel fulcral que desempenham na construção de um futuro para a Síria. Demonstraram que conseguem lidar com qualquer obstáculo, quer seja relacionado com segurança, comunidade ou com a vida em geral”.

3. Joy Wathagi, Quénia

Joy Wathagi é uma das coordenadoras de juventude da Amnistia Internacional em Nairóbi, no Quénia, e tem sido incansável em defender uma adolescente que se encontra a milhares de quilómetros de distância. A estudante Taibeh Abbasi, de 18 anos, vive na Noruega e sonha em ser médica, mas encontra-se em risco de ser deportada para o Afeganistão, um país em que nunca esteve. Quando Joy soube que os colegas de turma de Taibeh estavam a organizar protestos, ela quis mostrar solidariedade para com eles e decidiu participar na campanha #TellNorway através das redes sociais, para sensibilizar para o caso.

Joy partilha alguma das suas experiências pessoais, em particular sobre as relações de amizade que travou ao longo da vida e que influenciam o seu ativismo: “lembrei-me de todos os refugiados que vieram para o Quénia. Conheci pessoas da Somália, Sudão e Ruanda e merecem viver como qualquer queniano. Fui à escola com muitos desses refugiados, cresci com eles, e muitos tornaram-se amigos já de longa data. Ficaria devastada se fossem obrigados a regressar.

4. Shackelia Jackson, Jamaica

O luto transformou Shackelia Jackson numa ativista. A 2 de janeiro de 2015, o irmão de Shackelia, Nakiea Jackson, encontrava-se a trabalhar durante o atarefado período de almoço no seu restaurante quando foi morto pela polícia. Disseram que Nakiea enquadrava-se na descrição de um homem que perseguiam por assalto. Shackelia tem lutado desde então para levar à justiça todos os responsáveis, enfrentando intimidação policial e assédio constantes.

O apoio que tem recebido ecoa nas suas palavras: “sinto-me imparável porque recebi o espaço seguro e o ombro de gigantes para me apoiar. A Amnistia Internacional e os seus apoiantes deram-me uma plataforma global para que pudesse reescrever a história. A bondade das pessoas recordou-me que eu estava apenas destroçada, não destruída”.

5. Zhang Leilei, China

A ativista Zhang Leilei é uma mulher com uma missão: pôr fim ao assédio sexual na China. Em 2017, trabalhou no design de anúncios publicitários para o metro para sensibilizar para o tema, mas foram rejeitados pelas autoridades responsáveis. Então, Zhang Leilei, transformou-se a ela própria num cartaz humano, e mulheres em todo o país começaram a seguir o exemplo!

Outra das suas ações incluiu apelar aos estudantes e ex-estudantes para escreverem cartas abertas às suas universidades a exigirem mecanismos adequados para denunciar o assédio sexual. Ninguém precisou de ser convencido: em menos de duas semanas, cerca de 70 universidades publicaram as cartas que receberam e o Ministério da Educação na China prepara-se para implementar mecanismos que evitem o assédio sexual.

*Zhang Leilei é um pseudónimo

6. Wanjeri Nderu, Quénia 

Em 2012, Wanjeri Nderu tomou uma decisão corajosa. Demitiu-se do seu trabalho no setor financeiro para se tornar numa ativista em defesa da justiça social. Desde que trocou de carreira, o seu trabalho da Wanjeri tem incluído a denúncia de execuções extrajudiciais, a libertação de quatro cidadãos quenianos detidos no Sudão do Sul e o apelo por eleições livres e justas no Quénia.

Contudo, o seu ativismo tem um preço. Wanjeri já foi detida por participar em protestos pacíficos em 2013 e enfrenta, frequentemente, ataques e agressões online e físicas. Mas nada a vai parar e Wanjeri é hoje um dos nomes que se destaca na vanguarda de ativistas determinados a defender aquilo em que acreditam!

7. Hortense Lougué, Burkina Faso

Hortense Lougué deve ser uma das mulheres mais ocupadas no Burkina Faso. Tendo crescido num país repleto de desigualdade e injustiças, onde as raparigas podem ser forçadas a casar ou a submeterem-se a mutilação genital feminina (MGF), ela dedicou a sua vida a tentar terminar a violência com base no género, e a preparar múltiplos projetos para avançar a educação para os direitos humanos. Hortense Lougué trabalha agora com raparigas e mulheres que foram obrigadas a casar ou que sofreram MGF, preparando-as para saberem enfrentar estes assuntos.

Lidero 10 projetos diferentes e com determinação e perseverança, comprometemo-nos a melhorar as vidas de raparigas e mulheres do Burquina Faso”, refere Hortense Lougué.

8. Azza Soliman, Egito

Azza Soliman corajosamente defende as vítimas de tortura, detenção arbitrária, violência doméstica e violação no Egito. Co-fundou o centro para apoio jurídico a mulheres egípcias e mais tarde o projeto “Advogados pela Justiça e Paz” que proporciona assistência jurídica, apoio e aulas de literacia. Recentemente, Azza foi presa e interrogada. Enfrenta agora acusações por ter difamado a imagem do Egito ao afirmar que as mulheres enfrentam risco de violação no país. Encontra-se impedida de viajar, os seus bens foram congelados, e pode enfrentar uma condenação de até 15 anos de prisão.

Apesar dos desafios, Azza não desiste. “A luta para reforçar e apoiar mulheres e os direitos humanos é longa e exaustiva. Contudo, ainda tenho esperança. A avassaladora quantidade de mensagens de apoio que recebo lembram-me que não estou sozinha, e que o meu trabalho é apreciado e reconhecido. Consigo ver novas gerações a pegarem na tocha e a liderarem o caminho para um futuro melhor. Um dia vamos ultrapassar estas dificuldades e desafios” – é isto que motiva a continuar.

Assine a petição para que todas as acusações contra Azza sejam imediata e incondicionalmente retiradas, e que seja revogada a proibição de viajar bem como o descongelamento dos seus bens.

Azza Soliman: defensora dos direitos das mulheres no Egito