As autoridades iranianas lançaram uma repressão mortal sem precedentes para pôr fim aos protestos, na sua maioria pacíficos, que exigiam a queda da República Islâmica. As forças de segurança usaram ilegalmente armas letais, que provocaram mortes e ferimentos graves em massa. A 8 de janeiro, as autoridades cortaram o acesso à Internet no país para ocultar os seus crimes. Exorte a comunidade internacional a agir urgentemente para pôr fim a novos massacres de manifestantes no Irão.
Qual é o problema?
O povo iraniano, indignado com décadas de repressão, saiu às ruas a partir de 28 de dezembro de 2025 para exigir mudanças fundamentais e um sistema político que respeite os direitos humanos e a dignidade humana. Foram recebidos com uma repressão letal sem precedentes por parte das forças de segurança, que levaram a cabo assassinatos em massa de manifestantes ocultados pelo manto de um “blackout” digital imposto pelas autoridades a partir de 8 de janeiro de 2026.
Os protestos iniciaram-se após uma descida acentuada do valor da moeda, que se juntou à má gestão crónica dos serviços essenciais por parte do Estado e à deterioração das condições de vida. Iniciando-se com o encerramento de lojas e greves no Grande Bazar de Teerão, os protestos evoluíram para manifestações em massa nas ruas de todo o país, exigindo a queda da República Islâmica.
A Amnistia internacional documentou a forma como as forças de segurança dispararam, repetida e ilegalmente, espingardas e caçadeiras carregadas com balas de metal contra manifestantes desarmados. As instalações médicas ficaram sobrecarregadas com os feridos, enquanto famílias angustiadas procuravam os seus entes queridos desaparecidos em morgues lotadas, hospitais e até mesmo em pilhas de corpos colocados em armazéns e contentores de carga.
No meio de detenções em massa, os manifestantes detidos e outros dissidentes correm risco de tortura e outros maus-tratos, bem como de serem executados, devido às ordens do chefe do poder judiciário do Irão de não mostrar “nenhuma clemência” contra aqueles que ousam levantar-se contra o regime da República Islâmica.
Os Estados-membros da ONU devem tomar medidas diplomáticas urgentes para proteger os manifestantes de novos massacres e enfrentar a impunidade sistémica que está a levar a este derramamento de sangue. Isso inclui: convocar sessões especiais no Conselho de Direitos Humanos da ONU e no Conselho de Segurança da ONU para impedir novos massacres e procurar justiça criminal internacional, designadamente referenciar o Irão ao Tribunal Penal Internacional.
O que pode fazer para ajudar?
Assine a petição para apelar aos Estados-membros da ONU, nomeadamente Portugal, a pressionarem as autoridades iranianas a cessarem imediatamente o derramamento de sangue dos manifestantes no Irão e a responsabilizarem as autoridades iranianas pelos crimes cometidos.
Texto da carta a enviar
Ex.mo Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros,
Como é do seu conhecimento, as autoridades iranianas lançaram uma repressão mortal sem precedentes para pôr fim aos protestos, na sua maioria pacíficos, que exigiam a queda da República Islâmica. As forças de segurança usaram ilegalmente armas letais, que provocaram mortes e ferimentos graves em massa, o que constitui mais uma violação grave dos direitos humanos da população iraniana.
De acordo com as provas recolhidas pela Amnistia Internacional, as forças de segurança posicionadas nas ruas e nos telhados, incluindo de edifícios residenciais, mesquitas e esquadras de polícia, dispararam repetidamente espingardas e caçadeiras carregadas com balas de metal, visando frequentemente a cabeça e o tronco de manifestantes desarmados. As instalações médicas ficaram sobrecarregadas com os feridos, enquanto famílias angustiadas procuravam os seus entes queridos desaparecidos em morgues lotadas, hospitais e até mesmo em pilhas de corpos colocados em armazéns e contentores de carga.
Vítimas de detenções em massa, os manifestantes detidos e outros dissidentes correm risco de tortura e outros maus-tratos, bem como de serem executados, devido às ordens do chefe do poder judiciário do Irão de não mostrar “nenhuma clemência” contra aqueles que ousam levantar-se contra o regime da República Islâmica.
Assim, apelo a V.exa., que, enquanto responsável pela política externa portuguesa e sendo Portugal Estado-membro da ONU, que:
– Tome medidas diplomáticas urgentes para proteger os manifestantes de novos massacres;
– Apele à convocação de sessões especiais no Conselho de Direitos Humanos da ONU e no Conselho de Segurança da ONU para impedir novos massacres;
– Se una aos esforços de responsabilização das autoridades iranianas pelas violações de direitos humanos cometidas, designadamente referenciando o Irão ao Tribunal Penal Internacional.
Cumprimentos,


