23 Outubro 2008

(ACÇÃO ENCERRADA)

A Amnistia Internacional criticou a “confissão” televisiva, feita na noite de ontem, de Sakineh Mohammadi Ashtiani, uma iraniana acusada de adultério e a aguardar execução por apedrejamento, na qual, aparentemente, confessava estar implicada no assassinato do marido.    
A entrevista foi emitida na Quarta-feira, dia 11 de Agosto, no programa de Seda va Sima das 20h30 da Televisão da Republica Islâmica do Irão.  

As “confissões” televisivas têm sido repetidamente usada pelas autoridades para incriminar indivíduos que se encontram sob custódia. Muitos retratam-se mais tarde destas “confissões”, afirmando terem sido coagidos a fazê-las, por vezes sob tortura ou outros maus tratos.  

“Esta “confissão” faz parte de um crescente padrão de outras confissões e declarações auto-incriminatórias feitas por muitos detidos neste último ano”, disse Hassiba Hadj Sahraoui, Vice-Director da Amnistia Internacional do Programa do Médio Oriente-Norte de África. 
 

“Declarações feitas desta maneira, na televisão, não deveriam ter qualquer validade no sistema legal iraniano nem na revisão do seu caso. Este recente vídeo não mostra mais do que a falta de provas contra Sakineh Ashtiani”, disse Hassiba Hadj Sahraoui. 

A Amnistia Internacional sabe que na semana passada o advogado de Sakineh Mohammadi Ashtiani, Javid Houtan Kiyan, apresentou um pedido de 35 páginas para a revisão judicial do caso dela. Espera-se que haja uma resposta no dia 15 de Agosto ou por volta dessa data.  

“Parece que as autoridades iranianas orquestraram esta “confissão”, no seguimento do pedido de uma revisão judicial e estarão a inventar novas acusações contra ela pelo assassinato do marido, disse Hassiba Hadj Sahraoui. 

Relatos não confirmados de que Sakineh Mohammadi Ashtiani teria sido torturada ou mal tratada recentemente na prisão central de Tabriz, reforçam ainda mais as preocupações da Amnistia Internacional.  

“A emissão da ‘Confissão’ televisiva de Sakineh Mohammadi Ashtiani põe em causa a independência do poder judiciário, pelo menos em relação à televisão oficial e da sua capacidade de obedecer às leis do Irão. Se a Magistratura no Irão quer ser levada a sério, não pode considerar esta “confissão” e devem ser dadas garantias de que não afectará a revisão do caso”, disse Hassiba Hadj Sahraoui. 

Participe no apelo que a Amnistia Internacional está a promover para que não seja executada.

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