O risco de ser mulher e política na Índia: 7 coisas que precisa de saber - Amnistia Internacional Portugal

27 Janeiro 2020

As mulheres que se dedicam à política na Índia têm sido alvo de abusos nas redes sociais, nomeadamente no Twitter. Através de crowdsourcing, machine learning e data science, analisámos centenas de milhares de tweets enviados a 95 políticas. Esta análise sem precedentes, que mostra uma realidade preocupante, pode ser consultada na investigação da Amnistia Internacional intitulada “Troll Patrol India: expor o abuso online enfrentado pelas mulheres políticas na Índia”.

 

1. Um em cada sete tweets são “problemáticos” ou abusivos”

13,8 por cento dos tweets que mencionavam as 95 mulheres abrangidas pela nossa investigação foram considerados “problemáticos” (10,5 por cento) ou “abusivos” (3,3 por cento). Entre março e maio de 2019, contabilizaram-se um milhão de referências desta natureza.

 

2. Indianas mais atacadas do que mulheres do Reino Unido e dos EUA

Um estudo semelhante realizado pela Amnistia Internacional, em 2018, para analisar os abusos online contra 323 mulheres políticas no Reino Unido e nos Estados Unidos da América (EUA), concluiu que 7,1 por cento dos tweets eram “problemáticos” ou “abusivos”. A investigação feita sobre a Índia partiu de uma metodologia semelhante, mas concentrou-se num período mais curto de tempo, que coincidiu com as eleições, tendo mostrado que os tweets “problemáticos” ou “abusivos” correspondiam a 13,8 por cento.

 

3. Mais mediáticas, mais atacadas

Existe uma clara correlação entre o número de referências e a proporção de conteúdo abusivo direcionado para estas mulheres. Ou seja, as mais mediáticas são mais visadas. Nas referências às dez principais políticas, 14,8 por cento dos conteúdos eram “problemáticos” e “abusivos”. Nas restantes, o valor fixava-se em 10,8 por cento.

 

4. Comentários sexistas

Na análise dos tweets, os abusos foram organizados por categorias: sexistas e/ou misóginos, étnico-religiosos, racistas, que visavam castas, homofóbicos ou transfóbicos, que continham ameaças sexuais, ameaças físicas e, finalmente, “outros”. Neste último caso, incluíam-se os conteúdos “problemáticos” ou “abusivos” que não se enquadravam nos restantes. A categoria mais transversal acabou por ser “outros” (74,1 por cento). No entanto, um em cada cinco tweets apresentavam argumentos sexistas ou misóginos. Após uma análise mais profunda, a questão do sexismo foi vivenciada por mulheres de todos os espectros políticos e de todas as religiões, castas, raças ou idades.

 

5. Muçulmanas vítimas de insultos étnicos ou religiosos

As mulheres muçulmanas ou que se julgam ser foram alvo de mais conteúdos “problemáticos” ou “abusivos”, comparando com quem professa outras religiões. A investigação concluiu que 26,4 por cento desses conteúdos continham insultos étnicos ou religiosos – quase o dobro face às mulheres hindus (13,7 por cento).

 

6. Castas marginalizadas

As mulheres de castas marginalizadas foram vítimas de mais abusos na ordem dos 59 por cento. Isto significa que o sistema social indiano continua a ter um grande peso, mesmo na forma como são disseminados os conteúdos “problemáticos” ou “abusivos”.

 

7. Oposição sempre na mira

Comparando com o Bharatiya Janatas, o partido no poder, as mulheres políticas de outras afiliações foram visadas em mais 56,7 por cento dos casos de conteúdos “problemáticos” ou “abusivos”.

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