20 Janeiro 2026

 

  • Processo de libertação anunciado pelas autoridades cubanas a 14 de janeiro de 2025 foi marcado pela opacidade, falta de informação pública, ausência de critérios claros e uso de condições arbitrárias
  • Embora tenha libertado, pelo menos, 211 pessoas por motivos políticos, as libertações seletivas ou condicionadas não substituem a obrigação das autoridades de cessar a criminalização da liberdade de expressão nem de garantir um julgamento justo
  • “O presidente Díaz-Canel deve tomar uma decisão inequívoca: acabar com o uso do sistema penal para silenciar as críticas e punir o ativismo. É o momento de pôr fim à repressão contra aqueles que exercem pacificamente os seus direitos à liberdade de expressão, associação e reunião pacífica” – Ana Piquer

 

 

Um ano após as libertações seletivas de presos de consciência em Cuba, a Amnistia Internacional exige a libertação total e imediata de todas as pessoas presas por motivos políticos. Para Ana Piquer, diretora regional da Amnistia Internacional para as Américas, “as autoridades cubanas têm a obrigação de garantir a liberdade plena e incondicional de todas as pessoas presas por motivos de consciência”.

“Sayli Navarro Álvarez, Félix Navarro, Loreto Hernández García, Donaida Pérez Paseiro, Roberto Pérez Fonseca, Maykel Castillo Pérez (Maykel ‘Osorbo’) e Luis Manuel Otero Alcántara não devem passar nem mais um dia na prisão. Também devem pôr fim às detenções por motivos políticos de uma vez por todas”, afirmou.

O processo de libertação anunciado pelas autoridades cubanas a 14 de janeiro de 2025 foi marcado pela opacidade, falta de informação pública, ausência de critérios claros e uso de condições arbitrárias, bem como pelo impacto psicológico devastador nas famílias. Além disso, o processo não incluiu o reconhecimento estatal dos abusos cometidos nas detenções e condenações, nem garantias de não repetição.

“As autoridades cubanas têm a obrigação de garantir a liberdade plena e incondicional de todas as pessoas presas por motivos de consciência.”

Ana Piquer

“Algumas pessoas libertadas em 2025 foram forçadas ao exílio e outras voltaram à prisão, evidenciando a persistência de práticas autoritárias e a ausência de garantias para o exercício dos direitos humanos dentro do país sem medo de represálias”, apontou Ana Piquer.

“Embora esse processo tenha libertado, pelo menos, 211 pessoas por motivos políticos, as libertações seletivas ou condicionadas não substituem a obrigação das autoridades de cessar a criminalização da liberdade de expressão nem de garantir um julgamento justo”, acrescentou.

“Cuba deve libertar, sem condições, aqueles que nunca deveriam ter sido presos. O presidente Díaz-Canel deve tomar uma decisão inequívoca: acabar com o uso do sistema penal para silenciar as críticas e punir o ativismo. É o momento de pôr fim à repressão contra aqueles que exercem pacificamente os seus direitos à liberdade de expressão, associação e reunião pacífica”, concluiu Ana Piquer.

 

Perguntas Relacionadas

Quais são as principais razões pelas quais a Amnistia Internacional exige a libertação imediata de presos políticos em Cuba?

A Amnistia Internacional solicita a libertação urgente porque estas pessoas estão detidas unicamente por exercerem direitos fundamentais, como a liberdade de expressão, associação ou reunião pacífica. Além disso, muitos enfrentam processos injustos, condições prisionais desumanas ou são alvo de repressão sistemática por parte das autoridades cubanas devido às suas convicções políticas ou ativismo.

Que tipos de violações dos direitos humanos são denunciadas no caso dos presos políticos em Cuba?

O artigo destaca violações como detenções arbitrárias, julgamentos sem garantias de devido processo, maus-tratos em prisão e restrições ao contacto com familiares ou advogados. Também se refere a casos de tortura psicológica, isolamento prolongado e negação de cuidados médicos adequados, o que constitui um tratamento cruel e desumano.

Como é que as autoridades cubanas justificam, segundo a Amnistia Internacional, a prisão destes ativistas e opositores?

As autoridades cubanas costumam alegar que estas pessoas são detidas por "motivos de segurança do Estado", "desordem pública" ou "atividades contrarrevolucionárias". No entanto, a Amnistia Internacional considera que estas acusações são usadas para silenciar a dissidência e criminalizar a expressão de ideias críticas ao governo.

Que grupos de pessoas são mais afetados pela repressão política em Cuba, de acordo com a organização?

Entre os mais afetados estão jornalistas independentes, artistas, defensores dos direitos humanos, membros de organizações da sociedade civil e qualquer pessoa que participe em protestos pacíficos ou critique publicamente o governo. Também são alvo frequente os familiares de presos políticos, que enfrentam assédio e restrições.

Que medidas concretas pede a Amnistia Internacional às autoridades cubanas além da libertação dos presos políticos?

Além da libertação imediata, a organização exige o fim da repressão contra a sociedade civil, a revisão das leis que criminalizam a dissidência (como o Código Penal cubano), investigações independentes sobre denúncias de tortura e maus-tratos, e o respeito pelos padrões internacionais de direitos humanos, incluindo o direito a um julgamento justo.

Como pode a comunidade internacional contribuir para pressionar Cuba a respeitar os direitos dos presos políticos?

A Amnistia Internacional apela aos governos estrangeiros, organizações regionais (como a ONU ou a OEA) e à sociedade civil global para que condenem publicamente estas violações, imponham sanções direcionadas a responsáveis, apoiem os familiares das vítimas e exijam acesso a relatores independentes de direitos humanos para monitorizar a situação no país. A pressão diplomática e a visibilidade mediática são consideradas ferramentas-chave.

⚠️ Este painel de questões relacionadas foi criado com IA mas revisto por um humano.

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