- “O povo da Ucrânia suportou mais um ano de agressão em grande escala, a mais devastadora até agora em termos de consequências humanitárias e a mais mortífera em termos de vítimas civis desde 2022” – Erika Guevara-Rosas
- “Apesar da agressão em curso, a determinação internacional em opor-se aos crimes da Rússia ao abrigo do direito internacional e apoiar as suas vítimas tem sido mais pressionada nos últimos meses, especialmente desde o início da presidência de Donald Trump” – Erika Guevara-Rosas
- A determinação da comunidade internacional não deve vacilar. É fundamental que o povo da Ucrânia receba a verdade, a justiça e reparações pelo impacto devastador que esta guerra infligiu nos últimos doze anos — e continua a infligir ao país, ao seu povo, à sua terra e ao seu futuro
A assinalar o quarto aniversário da invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, Erika Guevara-Rosas, diretora sénior de Investigação, Advocacy, Política e Campanhas da Amnistia Internacional, defendeu que “o povo da Ucrânia suportou mais um ano de agressão em grande escala, a mais devastadora até agora em termos de consequências humanitárias e a mais mortífera em termos de vítimas civis desde 2022. Entretanto, o presidente russo Vladimir Putin e os seus altos funcionários indiciados pelo Tribunal Penal Internacional continuam a ser fugitivos da justiça internacional”.
A responsável adiantou ainda que, “apesar da agressão em curso, a determinação internacional em opor-se aos crimes da Rússia ao abrigo do direito internacional e apoiar as suas vítimas tem sido mais pressionada nos últimos meses, especialmente desde o início da presidência de Donald Trump. Os compromissos com a justiça e os direitos humanos estão a enfraquecer, à medida que vários intervenientes poderosos se vão tornando mais ousados a ignorar o direito internacional e corroer ainda mais a ordem baseada em regras”.
Vemos isso na retórica que minimiza a responsabilidade da Rússia por violações graves e em propostas que sugerem que a impunidade pela agressão e outros crimes é um preço aceitável a pagar para acabar com os combates. Vemos isso também nos ataques imprudentes e descontrolados ao Tribunal Penal Internacional e nas recentes limitações à assistência aos refugiados ucranianos, com alguns Estados a sugerir que partes do país estão agora seguras para o regresso.
“A injustiça deve ser combatida, não normalizada. A impunidade deve ser contestada, não incorporada nas propostas de paz”, alertou Guevara-Rosas.
“Apesar da agressão em curso, a determinação internacional em opor-se aos crimes da Rússia ao abrigo do direito internacional e apoiar as suas vítimas tem sido mais pressionada nos últimos meses, especialmente desde o início da presidência de Donald Trump.”
Erika Guevara-Rosas
“Os civis ucranianos continuam a sofrer ataques indiscriminados diariamente. Infraestruturas críticas indispensáveis à sobrevivência têm sido destruídas implacavelmente, colocando milhões de vidas em risco. As forças russas continuam a torturar prisioneiros de guerra, a aterrorizar e deportar civis nos territórios que ocupam, a submeter professores a trabalhos forçados e a doutrinar crianças, negando-lhes a sua identidade. Ao mesmo tempo, Moscovo exige o controlo sobre mais território ucraniano como parte das ‘negociações de paz’”, apontou.
Para a diretora sénior de Investigação, Advocacy, Política e Campanhas da Amnistia Internacional, “o mundo não deve esquecer que, desde a ocupação e anexação ilegal da Crimeia pela Rússia há 12 anos, esta trouxe devastação e imenso sofrimento ao povo da Ucrânia, tanto no território ocupado como fora dele. Milhões foram deslocados, inúmeras famílias ficaram sem casa e muitas vidas foram perdidas. A agressão da Rússia — um crime segundo o direito internacional — testou, não só a coragem e a resiliência dos ucranianos, como também a determinação da comunidade internacional em defender os direitos humanos e garantir a justiça”.
Erika Guevara-Rosas sustentou ainda que, “qualquer pressão sobre a Ucrânia para que comprometa a responsabilização por crimes relacionados com a guerra ou aceite as exigências territoriais e outras da Rússia é tão moralmente repugnante quanto ilegal. Não deve haver impunidade para crimes segundo o direito internacional, e tais crimes não têm prazo de prescrição”.
Este é um momento crítico para a humanidade. A determinação da comunidade internacional não deve vacilar. É fundamental que o povo da Ucrânia receba a verdade, a justiça e reparações pelo impacto devastador que esta guerra infligiu nos últimos doze anos — e continua a infligir ao país, ao seu povo, à sua terra e ao seu futuro.
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