As vitórias do ativismo lembram-nos porque não podemos parar - Amnistia Internacional Portugal

1 October 2019

Setembro deixou-nos com motivos para celebrar. Oleg Sentsov (na foto) foi libertado, numa troca de prisioneiros entre a Ucrânia e a Rússia, e Ahmed H deixou a Hungria para voltar a abraçar a família no Chipre.

O caso de Oleg Sentsov remonta a 2014, quando manifestou oposição à ocupação russa da Crimeia. O cineasta ucraniano acabou condenado a 20 anos de prisão, após ter sido considerado culpado de acusações relacionadas com “terrorismo”, no seguimento de um julgamento injusto.

No passado dia 7 de setembro, foi libertado na sequência de uma troca de prisioneiros entre a Ucrânia e a Rússia. O acordo entre os dois países incluiu ainda 24 marinheiros ucranianos capturados na costa da Crimeia.

“Oleg Sentsov e muitos outros que estão presos após a ocupação e anexação ilegal da Crimeia pela Rússia são vítimas de perseguição com motivações políticas”

Marie Struthers, diretora da Amnistia Internacional para a Europa de Leste e Ásia Central

A diretora da Amnistia Internacional para a Europa de Leste e Ásia Central, Marie Struthers, refere que “Oleg Sentsov e muitos outros que estão presos após a ocupação e anexação ilegal da Crimeia pela Rússia são vítimas de perseguição com motivações políticas e nunca deveriam ter sido encarcerados”. “Apesar de já estarem em liberdade, é ofensivo vê-los serem usados como moeda de troca em acordos políticos”, nota a responsável.

Já Ahmed H voltou ao Chipre, no dia 28 de setembro. O regresso deste cidadão sírio a casa segue-se a um pesadelo que passou, primeiro, pela prisão e, depois, por um centro de detenção de imigrantes.

Em agosto de 2015, Ahmed H deixou o Chipre, onde vivia desde 2006, para ajudar os pais e outros seis membros da família que fugiram da Síria a encontrar segurança na Europa. Nesse caminho, envolveu-se em confrontos com a polícia da Hungria, na zona de Röszke, tendo atirado pedras a um grupo de agentes. Detido e julgado, acabou preso por “cumplicidade em ato de terror”, à luz das leis extremamente vagas contra o terrorismo. A liberdade condicional chegou este ano, mas a burocracia impediu-o de voltar ao Chipre.

“Após quatro longos anos de separação, Ahmed H reencontrou a família, bem a tempo do décimo aniversário da filha mais velha”

Giorgos Kosmopoulos, ativista da Amnistia Internacional Grécia

“Após quatro longos anos de separação, Ahmed H reencontrou a família, bem a tempo do décimo aniversário da filha mais velha. O regresso ao Chipre é um enorme alívio para a família”, comenta o ativista Giorgos Kosmopoulos da Amnistia Internacional Grécia, antes de acrescentar que a pena de prisão jamais deveria ter sido aplicada neste caso.

O ativismo faz a diferença

Depois de ter sido libertado, Oleg Sentsov deixou uma palavra a todos os ativistas, membros e apoiantes da Amnistia Internacional que recusaram baixar os braços em nome da justiça. “Para qualquer prisioneiro – independentemente de ser ou não um prisioneiro político, independente de tudo -, é muito importante receber cartas na prisão. É a coisa mais importante. Mesmo quando não se come durante todo o dia, mesmo quando não se recebe qualquer encomenda ou quando te fazem alguma coisa, ficas na esperança de receber cartas. Por isso, por favor, escrevam, escrevam, escrevam. Sobre qualquer coisa. É um grande apoio”, afirmou o cineasta.

Ahmed H também não foi esquecido pela Amnistia Internacional que organizou a campanha #BringAhmedHome. No total, mais de 24 mil pessoas uniram-se para pedir às autoridades do Chipre que autorizassem o seu regresso a casa.

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