- “Governo Trump tirou a vida de mais uma pessoa através do uso desnecessário de força letal — motivado pela sua agenda cruel e anti-imigrante — e, mais uma vez, mentiu descaradamente sobre as circunstâncias” – Amnistia Internacional EUA
- Renee Good nasceu em Colorado Springs, no estado do Colorado, tinha três filhos, de 15, 12 e 6 anos, estudou escrita criativa na Old Dominion University e recebeu o prémio de poesia para estudantes daquela universidade
- Em outubro de 2025, a Amnistia Internacional havia já denunciado práticas abusivas por parte do ICE, nomeadamente a utilização de ferramentas automatizadas de vigilância baseadas em inteligência artificial (IA) para visar deliberadamente cidadãos não americanos
A Amnistia Internacional EUA reagiu ao assassinato de Renee Good, a mulher morta a tiro por um agente do ICE a 7 de janeiro, em Minneapolis, EUA, motivado pela intervenção das forças de segurança anti-imigração do Immigration and Customs Enforcement (ICE). A secção norte-americana da Amnistia Internacional afirmou condenar “veementemente o tiroteio e assassinato de uma mulher em Minneapolis por um agente federal durante operações de fiscalização de imigração”.
Para a Amnistia Internacional, “o governo Trump tirou a vida de mais uma pessoa através do uso desnecessário de força letal — motivado pela sua agenda cruel e anti-imigrante — e, mais uma vez, mentiu descaradamente sobre as circunstâncias”.
A crescente presença do ICE, juntamente com a repressão militarizada aos protestos testemunhada nos últimos meses, violou o direito à liberdade de expressão e tornou as comunidades norte-americanas inseguras, prejudicando todos.
“Este homicídio, bem como todas as mortes sob custódia relacionadas com o ICE, deve ser investigado exaustivamente e os responsáveis pelos abusos devem ser levados à justiça. De forma mais ampla, o ataque às comunidades pelo governo Trump deve parar agora”, defendeu a Amnistia Internacional EUA.
Segundo o jornal norte-americano Washington Post, Renee Good nasceu em Colorado Springs, no estado do Colorado e tinha três filhos, de 15, 12 e 6 anos. Estudou escrita criativa na Old Dominion University e recebeu o prémio de poesia para estudantes da universidade em 2020.
“Este homicídio, bem como todas as mortes sob custódia relacionadas com o ICE, deve ser investigado exaustivamente e os responsáveis pelos abusos devem ser levados à justiça. De forma mais ampla, o ataque às comunidades pelo governo Trump deve parar agora.”
Amnistia Internacional EUA
A biografia do prémio de poesia caracteriza-a como uma escritora ávida e uma mãe dedicada. “Quando não está a escrever, a ler ou a falar sobre escrita, faz maratonas de filmes e cria arte com a filha e os dois filhos”, revela a biografia.
Práticas abusivas do ICE reincidentes
Em outubro de 2025, a Amnistia Internacional havia já denunciado práticas abusivas por parte do ICE, nomeadamente a utilização de ferramentas automatizadas de vigilância baseadas em inteligência artificial (IA) para visar deliberadamente cidadãos não americanos, no âmbito da repressão ilegal em curso no país contra migrantes, refugiados e requerentes de asilo.
A Amnistia Internacional analisou documentação dos registos públicos do Departamento de Segurança Interna (DHS) e documentos de aquisição e avaliação de privacidade divulgados anteriormente, que mostram que as ferramentas de IA Babel X, fornecidas pela Babel Street, e Immigration OS, da Palantir, têm capacidades automatizadas que permitem a monitorização, vigilância e avaliação constantes e em massa de pessoas, muitas vezes com o objetivo de visar cidadãos não americanos.
A Amnistia Internacional havia já denunciado práticas abusivas por parte do ICE, nomeadamente a utilização de ferramentas automatizadas de vigilância baseadas em inteligência artificial (IA) para visar deliberadamente cidadãos não americanos, no âmbito da repressão ilegal em curso no país.
A investigação também expôs como estas ferramentas estão a ser utilizadas pelo governo dos EUA para rastrear migrantes, refugiados e requerentes de asilo e, em última análise, apresentam um alto risco de serem utilizadas como parte da iniciativa “Catch and Revoke” (Capturar e Revogar).
Por outras palavras, o ICE desempenha um papel fundamental na aplicação da política de “Captura e Revogação”, através de táticas agressivas de rastreamento e detenção, mesmo que a política, como um todo, esteja a ser implementada pelo Departamento de Estado.
Contexto
O ICE é o braço operacional encarregado de implementar as decisões tomadas por todas as agências dos EUA envolvidas na gestão da migração, incluindo o Departamento de Estado.
Criado em março de 2003 por uma nova Lei de Segurança Interna, que daria início ao que seria a maior reorganização governamental desde a criação do Departamento de Defesa norte-americano, o ICE teria um âmbito e poderes inéditos nos EUA, em resposta aos trágicos eventos de 11 de setembro de 2001.
O ICE desempenha um papel fundamental na aplicação da política de “Captura e Revogação”, através de táticas agressivas de rastreamento e detenção, mesmo que a política, como um todo, esteja a ser implementada pelo Departamento de Estado.
A principal missão do ICE é promover a segurança interna e a segurança pública através da aplicação criminal e civil das leis federais que regem o controlo de fronteiras, alfândegas, comércio e imigração.
Após a tomada de posse do presidente Trump, o ICE conta agora com mais de 20 000 agentes e pessoal de apoio em mais de 400 escritórios nos EUA e em todo o mundo. A agência tem um orçamento anual de aproximadamente 6,8 mil milhões de euros.
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