20 Novembro 2025
Calheta: Pequena baía ou enseada, geralmente entre costas altas. Aos primeiros habitantes foram distribuídas terras para as cultivarem, do litoral para o interior, de uma forma não planificada, e surgem três pequenos aglomerados populacionais: Um onde hoje é São Pedro, outro na Matriz e um terceiro em Santa Clara. A Matriz foi central porque tinha uma ribeira e as melhores condições para o embarque e desembarque de cargas dos navios. São Pedro e Santa Clara tinham outras enseadas e aí se estabeleceu também alguma população. Agricultores e pescadores, embora nesse tempo a pesca fosse apenas uma atividade complementar.
A Calheta de Pero Teive é uma área costeira localizada na ilha de São Miguel, nos Açores. A sua história remonta aos tempos coloniais portugueses, quando a exploração e colonização das ilhas estava em curso. Acredita-se que o nome “Pero Teive” seja uma referência a um navegador ou explorador português do século XVI. No entanto, não há consenso sobre a identidade específica dessa figura histórica. A Calheta de Pero Teive tem sido historicamente significativa devido à sua localização estratégica e à sua importância para a navegação. Durante séculos, foi um ponto crucial para os navios que navegavam entre Portugal continental, os Açores e outras partes do mundo. A Calheta servia como um porto natural, oferecendo abrigo aos navios dos perigos do mar.
Hoje, a Calheta de Pero Teive continua a ser um local de interesse histórico e turístico. Os visitantes podem explorar as suas belas paisagens costeiras, aprender sobre a sua história marítima e desfrutar das atividades recreativas oferecidas pela área e proximidade com o mar e com o turismo de mar. Inicialmente, na história da Calheta de Pero Teive, era um porto estratégico e área costeira importante que influenciou o desenvolvimento urbano e a pressão sobre o mercado imobiliário na região. Com o tempo, a crescente popularidade dos Açores como destino turístico levou a um aumento na demanda por alojamentos, especialmente de curta duração, como os Alojamentos locais e hotéis de 5 estrelas. Isso resultou em numa série de consequências para a comunidade local.
O surgimento de mais Alojamentos locais na área pode ter causado uma gentrificação, onde os custos de habitação aumentam devido à especulação imobiliária e à transformação do tecido social e cultural do bairro. Os residentes de longa data, incluindo a comunidade cigana, enfrentam dificuldades para permanecer nas suas casas mas resistem contra a pressão para deixarem a área. A falta de acesso a moradias acessíveis pode agravar ainda mais sua situação, levando a um aumento da segregação e da marginalização.
30 Dezembro 2025
Nos anos 80, do século passado, a comunidade de etnia cigana de Ovar vive em tendas, em situação de extrema vulnerabilidade habitacional e económica. A câmara trata do recenseamento e avança com a construção de casas. À medida que as ligações de água e de energia elétrica são feitas, as pessoas mudam-se. Os contratos de arrendamento são assinados em 1988.
As famílias crescem e instalam-se na zona do Portinho, em maio de 1992. Deste bairro, surgem outros com casas térreas em estradas de terra batida, tetos improvisados com chapas de zinco, telhados de amianto, tachos amarrados com panos por causa dos ratos, um compartimento que são vários ao mesmo tempo, camas partilhadas, privacidades desprotegidas.
Fotos: Adriano Miranda e Maria João Gala
O bairro deu várias voltas com o preconceito agarrado à pele, o estigma da pobreza colado às paredes e aquela má fama associada à habitação social. Quiseram até construir um muro à volta e foi preciso lutar para dar nome às ruas e números às portas quando para ali foram morar os primeiros habitantes, logo após as obras que começaram em 1983. Chamavam-lhe “comboio amarelo”, como um trem de mais de 30 edifícios de quatro pisos pintados naquelas tonalidades amareladas.
Os anos foram passando, construiu- se um mercado, plantou-se um jardim, lançaram-se concursos de reabilitação para fazer arranjos no interior das casas, para melhorar as condições habitacionais dos moradores. As cozinhas, as salas, os quartos. Ali mora gente e famílias de várias proveniências e origens, estudantes universitários, mães e pais com filhos pequenos, pessoas mais velhas. O bairro, com a universidade ao pé, foi sendo “engolido” pela cidade no bom sentido, sacudindo o peso da desconfiança e da intolerância. Um caso bem-sucedido de integração urbana e social.
Fotos: Adriano Miranda
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