- Pesquisa da HelpAge International revela impacto na saúde física e mental dos idosos
- Grave escassez de alimentos nutritivos, medicamentos e abrigo contribui para condições desumanas
- “Direitos e necessidades dos idosos em Gaza não devem ser ignorados” – Erika Guevara Rosas
Os idosos em Gaza estão a sofrer uma crise de saúde física e mental, negligenciada devido ao bloqueio contínuo de auxílio e medicamentos essenciais por parte de Israel e à recente proibição da presença de organizações humanitárias no terreno, revelou uma nova pesquisa da HelpAge International e da Amnistia Internacional.
Numa pesquisa de saúde realizada pela HelpAge International, os idosos relataram que a escassez de alimentos os levou a saltar refeições, inclusive para garantir que outros membros da família pudessem comer, enquanto outros disseram que tiveram de racionar medicamentos para condições de saúde mais graves devido à falta de acesso.
Os idosos relataram que a escassez de alimentos os levou a saltar refeições, inclusive para garantir que outros membros da família pudessem comer, enquanto outros disseram que tiveram de racionar medicamentos para condições de saúde mais graves devido à falta de acesso.
Os idosos deslocados internamente também descreveram à Amnistia Internacional como a falta de acesso a alimentos nutritivos, abrigo adequado e cuidados de saúde estava a causar danos extremos, devido ao bloqueio contínuo imposto pelas autoridades israelitas. Os entrevistados foram deslocados várias vezes desde outubro de 2023.
“Durante os conflitos armados, as necessidades dos idosos são frequentemente ignoradas. Em Gaza, estão a sofrer um colapso físico e mental sem precedentes, como resultado direto das condições de vida deliberadamente impostas por Israel, com o objetivo de causar a destruição física dos palestinianos em Gaza”, afirmou Erika Guevara Rosas, diretora sénior de Investigação, Advocacy, Políticas e Campanhas da Amnistia Internacional.
“Durante os conflitos armados, as necessidades dos idosos são frequentemente ignoradas. Em Gaza, estão a sofrer um colapso físico e mental sem precedentes, como resultado direto das condições de vida deliberadamente impostas por Israel, com o objetivo de causar a destruição física dos palestinianos em Gaza.”
Erika Guevara Rosas
“O inquérito da HelpAge International revela como as restrições ilegais, cruéis e desumanas impostas por Israel à entrada de ajuda humanitária têm afetado a capacidade dos idosos de aceder a cuidados de saúde e medicamentos essenciais, e limitado o seu acesso a alimentos nutritivos e a abrigos adequados”, reforçou.
“Os direitos e as necessidades dos idosos em Gaza não devem ser ignorados. Muitos continuam a sofrer condições de vida degradantes e uma situação humanitária desesperada, na sequência da destruição das suas casas e de repetidas deslocações. As autoridades israelitas devem levantar imediata e incondicionalmente o seu bloqueio, permitindo a entrada sem entraves de suprimentos essenciais, incluindo medicamentos e materiais para abrigos”, acrescentou Erika Guevara Rosas.
Durante os meses de inverno, os palestinianos em Gaza — a maioria dos quais vive em tendas em ruínas ou abrigos improvisados — também tiveram de suportar esgotos transbordantes e inundações, além de terem sido expostos a ventos fortes. Israel também suspendeu o registo de 37 ONG que operam em Gaza e na Cisjordânia a partir de 1 de janeiro, tendo sido obrigadas a cessar as suas operações num prazo de 60 dias.
Resultados da pesquisa da HelpAge International
A HelpAge International entrevistou 416 idosos em Gaza e publicou os resultados num novo relatório intitulado Pushed Beyond Their Limits: The survival of older people in Gaza (Empurrados para além dos seus limites: a sobrevivência dos idosos em Gaza), hoje.
Num cenário de grave escassez de alimentos e do colapso dos serviços essenciais, os idosos enfrentam riscos distintos e muitas vezes ignorados. As suas necessidades permanecem, em grande, parte invisíveis. As principais conclusões da pesquisa da HelpAge International incluem:
- Os idosos vivem numa privação extrema de abrigo: 76% dos inquiridos vivem em tendas, muitas vezes superlotadas; 84% afirmaram que as suas condições de vida atuais prejudicam a sua saúde e privacidade.
- A deslocação tem sido constante e desestabilizadora: 79% foram deslocados mais de três vezes desde outubro de 2023, perturbando o apoio familiar e aumentando o isolamento.
- As condições de saúde são generalizadas e, em grande parte, não são tratadas: apesar da elevada prevalência de dores e doenças crónicas, o acesso a medicamentos é extremamente limitado, com 42% a conseguir obtê-los apenas “às vezes” e 18% “raramente”. Cerca de 68% dos inquiridos reduziram ou interromperam o tratamento devido à falta de stock. O acesso geral aos cuidados de saúde continua baixo, com apenas 17% a referir a disponibilidade total de cuidados de saúde, e o tratamento de doenças crónicas identificado como o serviço mais frequentemente perdido, com 31%.
- A insegurança alimentar é grave e pode ser fatal: embora metade dos inquiridos tenha afirmado que o acesso à assistência ficou mais fácil desde o cessar-fogo, 11% ainda não tinham feito nenhuma refeição nas últimas 24 horas; 48% reduziram a sua própria ingestão para garantir que outros pudessem comer.
- A tensão na saúde mental é grave e afeta diretamente a nutrição: 77% afirmaram que a tristeza, a ansiedade, a solidão ou a insónia reduziram o seu apetite e afetaram o seu bem-estar.
“A vida tornou-se ainda mais miserável”
Estas conclusões foram corroboradas pela investigação da Amnistia Internacional, que incluiu entrevistas com 12 idosos de todas as regiões da Faixa de Gaza ocupada que permanecem em tendas em campos de deslocados internos (IDP) na área de Zawayda, onde as condições de vida são extremamente difíceis. Na maioria dos casos, um familiar facilitou a comunicação com o idoso, muitos dos quais tinham uma deficiência ou precisavam de ajuda para usar um smartphone.
Os entrevistados disseram que foram forçados a interromper ou racionar medicamentos para doenças crónicas existentes, que estavam indisponíveis ou tinham aumentado três ou quatro vezes de preço. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, em outubro de 2025, menos de 14 dos 36 hospitais de Gaza estavam parcialmente a funcionar e menos de um terço dos serviços de reabilitação estavam operacionais, limitando severamente o acesso dos idosos aos cuidados de saúde.
Algumas pessoas idosas perderam muito peso e a maioria dependia de cozinhas comunitárias que nem sempre forneciam alimentos adequadamente nutritivos. O terreno nos campos de deslocados internos, muitas vezes irregular e arenoso, impedia aqueles que usavam cadeiras de rodas ou andarilhos de se movimentarem livremente, tornando-os totalmente dependentes de parentes.
Os entrevistados disseram que foram forçados a interromper ou racionar medicamentos para doenças crónicas existentes, que estavam indisponíveis ou tinham aumentado três ou quatro vezes de preço.
Mohammed Bili, 61 anos, foi deslocado sete vezes desde outubro de 2023. Necessita de fazer diálise três vezes por semana. No entanto, as instalações que frequentava anteriormente foram destruídas e agora só faz diálise duas vezes por semana, em sessões mais curtas. Além disso, tem dificuldade em usar a cadeira de rodas no terreno do campo e perdeu quase 20 quilos.
Bili disse aos investigadores da Amnistia Internacional: “Tenho muita rigidez nos braços e fraqueza muscular porque não consigo fazer diálise com a frequência que preciso”.
Samira Al-Shawa, 88 anos, usava um andarilho para se deslocar de forma independente. Agora, vive num campo de deslocados internos, onde o terreno arenoso a impede de andar. Passa a maior parte do tempo deitada numa cama improvisada na sua tenda. As cozinhas de caridade fornecem comida à família, mas é insuficiente e carece de nutrição adequada. Perdeu cerca de 20 quilos desde outubro de 2023.
Mohammed Bili, 61 anos, foi deslocado sete vezes desde outubro de 2023. Necessita de fazer diálise três vezes por semana. No entanto, as instalações que frequentava anteriormente foram destruídas e agora só faz diálise duas vezes por semana, em sessões mais curtas. Além disso, tem dificuldade em usar a cadeira de rodas no terreno do campo e perdeu quase 20 quilos.
Sadiqa Al-Barrawi, com cerca de 90 anos, foi deslocada três vezes desde outubro de 2023. Atualmente, vive numa tenda no campo de deslocados internos de Salam com o seu filho, a nora e os quatro netos. Ao ir à casa de banho numa noite de janeiro de 2025, caiu e feriu-se, e agora não consegue ficar de pé nem andar. Al-Barrawi relatou à Amnistia Internacional: “Desde então, a vida tornou-se ainda mais miserável”.
Sadiqa tem diabetes e hipertensão arterial. Perdeu cerca de 25 quilos e depende da comida das cozinhas de caridade. “Somos agricultores. Em casa, na aldeia, temos terra e os melhores alimentos frescos – e agora não temos nada”, acrescentou.
Contexto
As pessoas com mais de 60 anos representam cerca de 5% da população de Gaza. De acordo com o Ministério da Saúde palestiniano, no início de dezembro de 2025, 4.813 idosos tinham sido mortos em Gaza, desde outubro de 2023, embora este número não incluísse mortes indiretas devido à destruição de infraestruturas de saúde, por exemplo.
De acordo com um relatório da UNWRA, muitos idosos perdem o contacto com os seus cuidadores devido às hostilidades ou à agitação causada pela deslocação. A Amnistia Internacional documentou como os idosos correm riscos acrescidos em situações de conflito armado e como as suas necessidades humanitárias são sistematicamente ignoradas.
As pessoas com mais de 60 anos representam cerca de 5% da população de Gaza. De acordo com o Ministério da Saúde palestiniano, no início de dezembro de 2025, 4.813 idosos tinham sido mortos em Gaza, desde outubro de 2023.
Em dezembro de 2024, a Amnistia Internacional concluiu que Israel está a cometer genocídio em Gaza, argumentando que o país levou a cabo atos proibidos pela Convenção sobre Genocídio, com a intenção específica de destruir os palestinianos em Gaza, incluindo assassinatos, causando graves danos físicos ou mentais e infligindo deliberadamente condições de vida calculadas para provocar a sua destruição física.
Apesar da redução na escala dos ataques desde o acordo de cessar-fogo de outubro de 2025, não houve nenhuma mudança significativa nas condições que Israel está a infligir aos palestinianos em Gaza e nenhuma evidência que indique que a intenção de cometer genocídio tenha mudado.
Qual é o impacto do bloqueio israelita na saúde dos idosos em Gaza?
▼Que tipo de restrições estão a afetar o acesso a cuidados médicos em Gaza?
▼Por que razão os idosos em Gaza são particularmente vulneráveis nesta crise?
▼Que consequências têm os cortes de eletricidade na prestação de serviços de saúde em Gaza?
▼Como é que o bloqueio afeta a capacidade dos hospitais em Gaza para responder a emergências?
▼Que medidas são necessárias para aliviar a crise humanitária que afeta os idosos em Gaza?
▼⚠️ Este painel de questões relacionadas foi criado com IA mas revisto por um humano.


