Todos os anos, durante o último trimestre, a Maratona de Cartas mobiliza mais de cinco milhões de pessoas em todo o mundo para que assinem cartas em prol do fim das violações de direitos humanos.

Defender os direitos humanos é hoje um ato de coragem, não deixe que se extinga.

O que é a Maratona de Cartas?

 

É o maior evento de ativismo da Amnistia Internacional e decorre todos os anos durante o último trimestre.

Com a Maratona sensibilizamos para um conjunto de casos selecionados, o que poderá resultar numa melhoria das condições de vida para os defensores de direitos humanos. A Maratona de 2017  voltou a bater recordes de participação nacional e internacional: graças a si conseguimos enviar 308 750 assinaturas de Portugal! Todas estas assinaturas foram enviadas, tendo-se  contabilizado mais de 5 milhões de apelos, oriundos de cerca de 70 países diferentes.

Porquê participar na Maratona de Cartas?

Um pouco por todo o mundo, a liberdade para nos manifestarmos contra a injustiça, a liberdade para vivemos em terras que nos pertencem há gerações, a liberdade para defendermos o ambiente ou para nos manifestarmos contra a discriminação encontra-se ameaçada. As nossas cartas, as nossas palavras e ações irão fazer pressão para que que as autoridades atuem imediatamente e para que todos os que abusam de direitos humanos sejam apresentados à justiça.

Como participar?

Fique atento! Todos os anos, perto do mês de setembro começamos a divulgar o início da Maratona. Nesse momento, terá apenas de nos fazer chegar o seu interesse em participar, via email.

Quem pode participar?

Qualquer pessoa pode participar. Escrever ou assinar um dos nossos apelos não tem limite de idade mínimo ou máximo. Disponibilizamos toda a informação sobre os casos para que todas as assinaturas sejam feitas com total conhecimento do caso em questão. Todos os anos contamos com a participação de milhares de pessoas que, em Portugal e no mundo, atuam. Desde escolas a empresas, desde universidades a jantares de família, desde cafés, museus ou à espera dos transportes, qualquer lugar é perfeito para que se assine uma carta.

A quem escrevemos?

Todos os anos, pedimos que escrevam às autoridades dos países avisados para que a mudança ocorra. Além disso, apelamos também à escrita de mensagens de solidariedade para que todos aqueles que apoiamos saibam que não estão sozinhos.

E depois?

Todas as cartas e assinaturas são contabilizadas e organizadas pela Amnistia Internacional, quer tenha participado de forma online ou de forma offline (em papel). No final da campanha, todas as cartas serão enviadas pela Amnistia, para os respetivos alvos e sem quaisquer custos para quem participa.

Em alguns casos, esses envios das cartas são acompanhados por uma reunião na Embaixada do país visado.

Funciona?

Sim! Todos os anos registamos mudanças concretas como consequência das vossas cartas e ações. As pessoas injustamente presas são libertas. Os torturadores são levados à justiça. E as pessoas detidas são tratadas de forma mais humana.

“Aqui estou perante vocês – minha família, amigos, companheiros jornalistas, ativistas de direitos humanos, etíopes, diáspora e comunidade internacional – LIVRE das minhas correntes, emocionado com a vossa perseverança e solidariedade, e acima de tudo, fascinado com o vosso amor e generosidade. Muito obrigado!”

Eskinder Nega, jornalista e prisioneiro de consciência etíope, liberto a 14 de fevereiro, ao fim de quase sete anos passados atrás das grades com base numa condenação assente em acusações falsas.

Quero agradecer-vos, humildemente e de coração cheio, pelo vosso apoio inabalável. Mais de um milhão de vocês disse a uma única voz que a verdade importa. A minha gratidão está para lá de qualquer expressão possível. (…)  Amigos, não se enganem: há injustiça neste mundo, mas não irá durar para sempre. Faremos questão disso.”

Edward Snowden, whistleblower que denunciou as agências de serviços secretos norte-americanas e britânicas por monitorizar os telefonemas e as atividades na internet de milhões de pessoas do mundo inteiro

Sucessos

A Maratona de Cartas cresce todos os anos e em 2017 contou com um total de 5 550 650 apelos enviados. Todos os anos registamos desenvolvimentos positivos nos casos que selecionamos, sejam através da libertação de alguém que foi injustamente detido, com a implementação de leis ou com o fim das perseguições a alguém que simplesmente exigia justiça.

Vale a pena conhecer a história de alguns dos nossos casos mais recentes.

 

 

 

1. Mahadine, um ativista online natural do Chade, preso por questionar as decisões do seu governo foi liberto em 2018, na sequência da Maratona de Cartas.

2. Clovis Razafimalala, o ativista ambiental de Madagáscar, recebeu o prémio “cidadão de coragem” em reconhecimento do seu incansável trabalho de defesa da floresta do seu país.

3. Sakris Kupila finalmente prosseguiu os seus estudos em medicina. Segundo o próprio, sente-se mais confiante e apoiado que nunca! Tem sido convidado a estar presente em dezenas de eventos nacionais e internacionais como consequência da sua defesa dos direitos LGBTI. Esteve em Portugal em maio de 2018.

4. Muhammad Bekzhanov, um dos jornalistas detidos há mais anos em todo o mundo, foi liberto em fevereiro de 2017, após ter passado 17 anos atrás das grades no Uzbequistão. Centenas de pessoas escreveram a apelar pela sua liberdade.

5. As acusações contra Máxima Acuña, uma camponesa e agricultora peruana que desafiou uma das maiores empresas de mineração a nível mundial, foram retiradas em maio de 2017. Mais de 150 000 pessoas enviaram-lhe mensagens de solidariedade, de todos os cantos do mundo.

6. A whistleblower Chelsea Manning foi liberta em maio de 2017, após a sentença de 35 anos de que foi alvo ter sido encurtada pelo Presidente Barack Obama. Mais de 250 000 pessoas apelaram à sua libertação.

7. Albert Woodfox, nos EUA, era o último dos presos pertencentes ao grupo Angola 3. Foi finalmente liberto em fevereiro de 2016, após 43 anos e 10 meses passados em solitária. Foram enviadas mais de 650 000 cartas a apelar pela sua libertação.

8. Em dezembro de 2016 o governo do Malawi redobrou esforços para que as violações de direitos humanos contra albinos cessassem. Além da própria primeira-dama ter apadrinhado a causa, a lei foi reforçada e o governo lançou um guia para ajudar investigadores e magistrados a cumprirem a lei. Fizeram ainda centenas de doações de protetores solares para os centros de saúde.

9. A líder estudantil Phyoe Phyoe Aung foi liberta em abril de 2016. Esteve presa durante um ano por ter organizado protestos contra o governo de Myanmar. Foram enviadas mais de 400 000 cartas em sua defesa.

10. A fevereiro de 2016 o governo do Burkina Faso confirmou o seu compromisso para erradicar os casamentos forçados e precoces no país. Mais de 500 000 pessoas exigiram a proteção destas meninas e crianças, vítimas de violações de direitos humanos.

11. Yecenia Armenta foi liberta em junho de 2016. Foi detida arbitrariamente pelas autoridades mexicanas em 2012. Foi torturada para que confessasse um crime que não cometeu. Mais de 300 000 pessoas apelaram à sua libertação.

12. O conhecido defensor de direitos humanos, Ales Bialiatski foi liberto de um campo de trabalho de forçados na Bielorrússia em 2014. Recebeu mais de 40 000 cartas de apoio.

Entre tantos outros casos de sucesso.

Escreva uma carta, mude uma vida.

 

Em breve será disponibilizada informação relativa à Maratona de Cartas de 2018.

Recursos (2017)