16 Novembro 2023

A Amnistia Internacional considerou esta quinta-feira que a escassez de combustível e a privação de reabastecimento poderá provocar um novo apagão na Faixa de Gaza e o consequente corte nas comunicações no território, agravando a catastrófica crise humanitária entre o povo palestiniano.

Os grupos Paltel e Jawwal, detentores de duas das maiores empresas de telecomunicações da região, emitiram um comunicado conjunto informando que os seus principais servidores informáticos e comutadores de dados estão a desligar-se gradualmente devido à escassez de combustível.

Na quarta-feira, Israel autorizou a entrada em Gaza de um camião de ajuda Humanitária da ONU, que transportou 24 mil litros de combustível, um volume que apenas cobre cerca de 9% das necessidades da Faixa de Gaza.

“O colapso dos serviços de comunicações poderá constituir uma violação do direito internacional”

Rasha Abdul Rahim

A acontecer, o apagão será dificilmente revertido caso não se proceda a um reabastecimento de combustível, com Rasha Abdul Rahim, diretor da Amnesty Tech, a sublinhar que “o colapso dos serviços de comunicações poderá constituir uma violação do direito internacional”.

“O fornecimento imediato de níveis adequados de combustível também é essencial para permitir a prestação de serviços que continua a lutar para salvar vidas no sistema de saúde. Restaurar a energia é um imperativo humanitário urgente, que não deve ser adiado em nenhuma circunstância”, referiu.

 

Corte nas comunicações afeta resgates

Atualmente, a conetividade na Faixa de Gaza cifra-se em cerca de 30% abaixo dos níveis registados no período antecedente ao conflito, segundo dados das agências de telecomunicação IODA e Netblocks. Um novo apagão poderá agudizar as dificuldades nas operações de resgate a civis presos nos escombros dos edifícios destruídos e impedir o contacto serviços de emergência. Além disso, o trabalho das agências humanitárias será também perturbado com o corte de comunicações e impedem as organizações locais e internacionais de documentaram as violações dos direitos humanos – como as mortes ilegais ou o uso desproporcionado da força pelas forças de segurança.

Até à data, 15 fornecedores de serviços Internet foram confrontados com cortes quase totais, que afetaram as comunicações por telefone fixo, telemóvel e Internet. Estas interrupções ocorrem no contexto dos bombardeamentos implacáveis a Gaza, incluindo ataques indiscriminados e ilegais que dizimaram famílias inteiras, e da destruição extensiva de infraestruturas civis.

Recorde-se que, desde 7 de outubro, Gaza sofreu pelo menos três cortes totais de comunicações, cada um com uma duração de 24 a 48 horas. Durante estes cortes de comunicações, os civis não puderam procurar ajuda, aceder aos serviços de socorro e saber se os seus familiares e entes queridos estavam vivos e em segurança, o que contribuiu para aumentar a sensação de precariedade e medo.

A Netstream, um dos últimos fornecedores de rede que restam em Gaza, comunicou uma falha total dos seus sinais às 12h00 locais de 27 de outubro. Deguiram-se quase 48 horas de apagão total, tendo a conetividade sido gradualmente restabelecida nas primeiras horas de 29 de outubro. Durante este período, os bombardeamentos prosseguiram nas zonas de Shifa, Al Quds e dos hospitais indonésios. Pelo menos 302 pessoas foram mortas durante o período do apagão, elevando o número de mortos de 7.703 para 8.005.

A 31 de outubro, aproximadamente entre as 21h05 locais e as 10h00 de 1 de novembro, Gaza sofreu mais um apagão total, durante o qual o número de mortos subiu de 8.866 para 9.061, tendo pelo menos 195 palestinianos sido mortos durante os bombardeamentos que provocaram uma destruição maciça no campo de refugiados de Jabalia, em Gaza.

Depois, entre 5 e 6 de novembro, ocorreu outro apagão total das comunicações em Gaza, das 18h00 às 9h00, hora local. Durante um período de 24 horas de apagão, o número de mortos atingiu os 10.022 – incluindo 4.104 crianças – em comparação com o número anterior de 9.770, a 5 de novembro.

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