Ativismo jovem em 2021 - Amnistia Internacional Portugal

6 October 2021

Ativismo jovem em 2021, mesmo perante a incerteza, existe. Mas o ativismo jovem nunca foi fácil. Porém, no meio de uma pandemia, num mundo cada vez mais dividido, os jovens defensores de direitos humanos enfrentam agora desafios ainda maiores.

Contudo, os jovens em todo o mundo continuaram a mostrar resiliência face à incerteza o mundo em que vivemos. Mesmo nos tempos mais sombrios, eles nunca pararam de esperar nem de trabalhar por um futuro melhor para todos e todas nós.

Neste texto, membros do Coletivo Global de Jovens da Amnistia Internacional e parceiros refletem sobre o último ano e compartilham as suas esperanças para 2021.

 

Jovens ativistas e resilientes em 2021

 

    

Lehlogonolo Muthevhuli,
24 anos, África do Sul

Quando a COVID-19 paralisou o mundo em 2020, Lehlogonolo teve que adaptar a sua forma de trabalhar.

“2020 foi um ano difícil para todos. Como resultado, muitas injustiças de direitos humanos foram ampliadas – mas o nosso trabalho como defensores de direitos humanos continuou.”

Direitos Humanos na África do Sul

 

Chirstoph Alberts. Credit: CC-BY 4.0 unteilbar.org, Ahmad M.kadd.

 

    

Christoph Alberts
22 anos, Alemanha

Christoph é um jovem defensor dos direitos humanos da Alemanha.

“A minha maior esperança é que, junto com a vacinação, possamos vencer a pandemia. Deve ficar claro que a solidariedade internacional não pára nas fronteiras nacionais e que uma distribuição global justa deve ser a base de todas as decisões ”.

Direitos Humanos na Alemanha

 

Ikran Jaoui. Credit: Private.

 

    

Ikram Jaoui
23 anos, Marrocos

Ikram é uma ativista de direitos das mulheres que trabalha na prevenção da violência sexual e de género. Mesmo durante os momentos mais sombrios, ela encontrou uma forma de fazer a mudança acontecer. 

“COVID-19, confinamento, recolher obrigatório, incêndios florestais … este foi o meu 2020. Não foi um ano fácil. Embora as medidas de confinamento ajudassem a limitar a propagação do vírus, os sobreviventes da violência doméstica estavam cada vez mais isolados da ajuda, dificultando o nosso trabalho. Conseguimos continuar com nosso ativismo onde pudemos, transferindo parte para o meio online.”

“Continuo esperançosa quanto ao nosso futuro – tenho esperança na humanidade e na medicina e espero que as pessoas demonstrem mais gratidão umas com as outras. Espero que possamos garantir o acesso a serviços de saúde de qualidade, independentemente do sexo, raça, religião ou origem da pessoa.”

“Este ano, quero continuar a promover e a proteger os direitos das mulheres, especialmente durante estes tempos turbulentos, e quero prestar mais assistência às mulheres, especialmente as mais marginalizadas.”

Direitos Humanos em Marrocos

 

Manu Gaspar. Credit: Jamie Wong.

 

    

Manu Gaspar
25 anos, Filipinas

Manu defende os jovens que estão na base das estruturas de poder cultural, económico e político nas Filipinas.

“Espero que possamos reconstruir um mundo mais justo e mais verde em 2021. Ao revelar as nossas falhas sistémicas, a pandemia levou a um re-imaginar coletivo de um futuro com mais igualdade para todos – 2021 é a nossa oportunidade de torná-lo possível. Espero contribuir sendo um melhor ouvinte e um aliado visível para colegas e comunidades em todo o nosso movimento. ” 
Direitos Humanos nas Filipinas

 

Vandita Morarka. Credit: Private.

 

    

Vandita Morarka
26 anos, Índia

A fundadora e CEO do One Future Collective, Vandita Morarka, é uma jovem ativista queer e advogada de direitos humanos na Índia. Quando a COVID-19 atingiu a sua comunidade, para continuar o seu trabalho, Vandita adaptou-se usando tecnologia simples, como SMS, chamadas e aprendizagem a partir da Google Drive, aliada a modelos de parceria híbrida que envolviam quem, no terreno, prestava assistência tendo acesso à internet, para levar serviços àqueles sem qualquer acesso.

“Espero que 2021 seja um ano de compaixão, amor e respeito pelos defensores dos direitos humanos em todo o mundo. A COVID-19 interrompeu grande parte do meu trabalho de direitos humanos em comunidades com acesso limitado à internet, mas estou determinada a continuar a fazer campanha este ano.”

“Em 2021, quero encorajar a liderança feminista, transformar micro-comunidades e construir sistemas renovados que sejam justos e equitativos. Quero apoiar mais sobreviventes da violência de género, fornecer melhores cuidados de saúde para aqueles que lutam contra problemas de saúde mental e garantir que haja mais jovens em posições de tomada de decisão em toda a parte.”

Direitos Humanos na Índia

 

Vibha Venkatesha. Credit: Private.

    

Vibha Venkatesha
24 anos, EUA

Os direitos humanos sempre foram parte integrante da vida de Vibha e ela faz campanha em questões como detenções em massa, confinamento solitário, direitos de migrantes e refugiados e direitos LGBTI nos EUA.

“Com uma pandemia global, crise climática iminente e nacionalismo extremista e violações de direitos humanos a aumentarem em todo o mundo, pode parecer difícil de nos abstrairmos e imaginarmos um futuro melhor. No entanto, temos de encontrar forma de renovar a esperança este ano.”

“No meu país, espero que possamos agir eficazmente sobre a crise climática e tomar medidas para impedir os danos generalizados que a COVID-19 tem causado, especialmente nas comunidades negras com baixos rendimentos. Também espero que aqueles que se tornaram mais vocais sobre os abusos de direitos humanos amplificados pela liderança anterior dos EUA continuem a desafiar os abusos futuros, especialmente no que diz respeito à violência armada, violência policial, justiça para migrantes e justiça reprodutiva.”

“Existem tantas maneiras de causar impacto: aprendendo sobre os abusos de direitos humanos, doando e angariando fundos para organizações, educando através de conversas difíceis com amigos e familiares, usando as redes sociais para chamar a atenção para os problemas ou escrevendo cartas para funcionários do governo – quero continuar com essas atividades e muito mais este ano.”

Direitos Humanos nos Estados Unidos da América

 

Allyson Castillo and Karin Watson. Credit: Valentina Daneken.

 

    

Allyson Castillo e Karin Watson
19 anos e 23 anos, Chile

Allyson Castillo e Karin Watson apelam à igualdade de género e à justiça climática no Chile, e as redes sociais ajudam-nas a ampliar o número de pessoas a que chegam, incluindo políticos e o governo.

“Este ano, esperamos que a situação melhore – e queremos concentrar o nosso trabalho nas áreas mais afetadas: educação, saúde e acesso a serviços básicos, inclusivamente, alimentação.”

“Juntas, esperamos continuar a nossa ação como jovens líderes, enquanto trabalhamos em novos áreas, como o feminismo, com foco nos direitos sexuais e reprodutivos. Queremos que o ativismo jovem continue e cresça, para que os jovens tenham a oportunidade de causar impacto.”

Direitos Humanos no Chile

 

Nabeela Iqbal. Credit: Private.

 

    

Nabeela Iqbal
24 anos, Sri Lanka

Nabeela é uma ativista do Sri Lanka com experiência em construção da paz, envolvimento  cívico de jovens e educação não formal de meninas. Atualmente, ela dirige a organização de jovens liderada por mulheres “Sisterhood Initiative“.

“Por mais que nos envolvamos online, estamos atentos às ligações perdidas offline e aos momentos em que não podemos chegar às pessoas da comunidade quando elas precisam. Quando a pandemia me exaure, recorro à equipa em busca de solidariedade e de conforto fruto da nossa ética de trabalho conjunto.” 

“Este ano, espero aumentar o envolvimento entre as jovens mulheres muçulmanas, visitar comunidades e criar um sistema de apoio legal e emocional em resposta às mulheres que passam por dificuldades devido a leis discriminatórias. Com isso, as mulheres terão conhecimento de seus direitos e capacidade de decisão para compreender a sua influência como membros desta sociedade.”

Direitos Humanos no Sri Lanka

 

Pashtana Durrani. Credit: Private.

 

    

Pashtana Zalmai Khan Durrani
23 anos, Afeganistão

Pashtana Zalmai Khan Durrani started advocating for girls’ education when she was seven. Her activism evolved into educating young girls in conflict zones, through the LEARN organization.

“This year, I want to ensure quality education is accessible for children living in internally displaced camps and refugee camps and banish the taboos around menstrual hygiene. I am hoping to establish at least 10 digital schools within Afghanistan and 1 in Syrian refugee camps, so girls can access quality education despite the conflict.

“But, of course, we need to relax and unplug from everything that is happening. We deserve a break – and we don’t need to win every battle. As a young human rights defender, we just need to be passionate about the cause.”

Direitos Humanos no Afeganistão

 

Belinda Adikie Asamanyuah. Credit: Selina Avleshie.

 

    

Belinda Adikie Asamanyuah
23, Ghana

Young people who are aware of their human rights are considered disrespectful in Ghana – and Belinda is determined to change their mindset.

“I want to change the hearts and minds of people in my community, with the aim of building an appreciation for human rights education. But last year I had to move my meetings online. It was expensive and the data charges were high, but I’ve managed to make it work.

“This year, I hope aspiring young human rights defenders will be influenced by the power of social media to take action and contribute to ending grave abuses in the world. On a personal level, I hope to continue using my social media platforms to increase visibility on human rights education, as well as encourage young people in my community to become activists for change.”

Direitos Humanos na África do Sul

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Ativismo jovem 2021, Amnistia Internacional

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