A nossa resposta à crise global de refugiados vai definir o mundo em que nós e as gerações futuras iremos viver. E a história vai lembrar-nos pela forma como lidámos com a maior crise humana dos nossos tempos.

Não fique indiferente e atue connosco!

O problema

Atualmente, pessoas pelo mundo inteiro, em números recorde históricos, foram forçadas a fugir das suas casas. Mas a maior parte dos países, em vez de darem mostras de uma verdadeira liderança e respeito pelas leis internacionais de proteção a refugiados, estão a fechar-lhes as portas.

As nações mais ricas estão a deixar nas mãos de apenas uma minoria de países a tarefa de lidarem sozinhos com quase todos os 22,5 milhões de refugiados. Políticos e vários canais de comunicação estão a manipular a realidade e a desumanizar os refugiados, retratando-os como “ilegais” ou “invasores” que constituem “ameaças à segurança”. Estão a evadir-se à responsabilidade de proteger pessoas que fogem da violência, da perseguição e de conflitos armados.

E a cada dia que passa, essa indecisão e a falta de ação estão a provocar um sofrimento humano atroz.

A maioria dos refugiados são oriundos da Síria, Afeganistão, Iraque, Myanmar, Eritreia, Sudão, Sudão do Sul, Somália, Honduras. Fogem da violência causada por conflitos armados, por atos de terrorismo, por repressão política, pela discriminação, pela intolerância e até pelas alterações climáticas.

Voltar para casa não é opção, sobretudo quando as longas e perigosas travessias ou as longas distâncias a percorrer a pé representam uma possibilidade mais segura. Contudo, aos refugiados espera-os o contacto com traficantes e a ameaça de serem enviados para outros locais igualmente inseguros quando as fronteiras se fecham à sua frente. Além disto, ficam muitas vezes encurralados em situações de espera em campos de refugiados improvisados durante meses ou anos.


Isto é um túmulo para seres humanos. É um inferno!

Nabil, refugiado iraquiano, encurralado num campo de refugiados nas ilhas gregas


Isto é um túmulo para seres humanos. É um inferno!

Nabil, refugiado iraquiano, encurralado num campo de refugiados nas ilhas gregas

Contexto

Esta é a maior crise de refugiados desde a II Guerra Mundial. Existem atualmente mais de 65,6 milhões de pessoas deslocadas de suas casas, das quais mais de 22,5 são refugiados. Metade destes são crianças.

A falta de proteção a estas pessoas representa uma crise à escala global.

Os países mais desenvolvidos têm demonstrado uma completa ausência de liderança eficaz, deixando a responsabilidade de acolhimento de mais de 84% dos refugiados para países em desenvolvimento. O relatório Tackling the global refugee crisis: From shrinking to sharing responsibility, evidencia a situação precária enfrentada pelos mais de 22,5 milhões de refugiados: enquanto centenas permanecem na Grécia, Iraque, Nauru ou na fronteira da Síria e da Jordânia, ou ainda no Quénia e no Paquistão, todos enfrentam um aumento dos níveis de perseguição por parte dos governos.

A vasta maioria dos refugiados é acolhida por apenas 10 países!

De um total de 193, apenas 10 países acolhem a vasta maioria dos refugiados. A este pequeno número de países exige-se demasiado, somente por partilharem fronteira com países em crise. A verdade é que o fluxo de refugiados não está limitado ao Mar Mediterrâneo e a desumanização desta crise é cada vez mais acentuada.

Agir agora!

 

Os desafios acentuam-se ainda mais ao analisarmos o atual panorama político e social da Europa e dos Estados Unidos. As Ordens Executivas do Presidente Donald Trump (E.U.A.), os discursos populistas e xenófobos de vários líderes, de que são exemplo Marine Le Pen (França), Viktor Órban (Hungria) e Geert Wilders (Países Baixos), entre outros, acentuam a ideia de que hoje vivemos num mundo onde se pretende lançar sementes de ódio, medo e de divisão.

Estes discursos expõem cada vez mais as pessoas à discriminação e perseguição, colocando em causa as próprias liberdades fundamentais. Infelizmente, vemos estes discursos ganharem terreno, motivar multidões, chegando mesmo a eleger líderes políticos.

Neste contexto, a campanha Eu Acolho é cada vez mais relevante. À promoção partilha das responsabilidades para o fortalecimento do sistema internacional de proteção a refugiados, soma-se também a necessidade de construir uma narrativa positiva e de inclusão.

 

 

Eu Acolho: Uma campanha global

Todos os países devem ajudar na proteção devida aos refugiados através da reinstalação e de outros mecanismos que providenciam rotas legais e seguras.

O que propomos:

reinstalação protege os refugiados que são mais vulneráveis: pessoas que foram sujeitas a tortura, por exemplo, ou mulheres em risco de serem submetidas a continuados abusos. As rotas seguras e legais são outros meios os governos podem ativar , como por exemplo:

  • Oportunidades para acolhimento dos refugiados pelas comunidades locais.
  • Reunificação familiar – isto significa que refugiados podem reunir-se a familiares próximos que já vivem em outros países.
  • Bolsas de estudo e vistos para estudantes – que permitem a refugiados começarem ou continuarem os seus estudos.
  • Vistos médicos – para ajudar quem apresenta um estado clínico grave a obter tratamento que lhe poderá salvará a vidas.

 

Disponibilizar tais oportunidades aos refugiados permitirá que estas pessoas viajem para novos países de acolhimento de forma organizada e segura.

 

 

A partilha da responsabilidade

Ao concordar em partilhar a responsabilidade de proteger os refugiados, os governos podem dar provas de uma liderança verdadeiramente assente nos direitos humanos.

A responsabilidade nunca será partilhada se continuarem a existir acordos que coloquem em risco a vida destas pessoas. Em março de 2016, a União Europeia concluiu um acordo com a Turquia onde o custo para os direitos humanos é alto demais. A premissa central do acordo assinado entre a UE e a Turquia, de fazer regressar a território turco a maioria das pessoas que consegue chegar às ilhas gregas, baseia-se na suposição de que a Turquia é um país seguro para os requerentes de asilo. Este não é o caso! Instamos a que não existam mais acordos que vão contra os direitos dos refugiados e requerentes de asilo.

Da solidariedade à ação!

Os nossos sucessos resultam da pressão exercida por grupos de ativistas que transformam a indignação em ação. Pessoas que trabalham a favor de outras pessoas. É esta a nossa força.

Assine o manifesto que será entregue aos nossos líderes políticos, para os relembrar das suas obrigações legais, morais e humanitárias. Se não podemos confiar nos nossos políticos para mudarem o mundo, iremos fazê-lo nós mesmos.

Diga aos seus amigos, espalhe a mensagem e ajude-nos a pedir ao governo português que faça eco da nossa solidariedade.

 

Assine o manifesto “Eu Acolho”. Os refugiados precisam de soluções e não de muros.

Eu acolho

 

Recursos