12 Janeiro 2026

 

  • “As autoridades iranianas bloquearam deliberadamente, mais uma vez, o acesso à Internet no Irão, para ocultar a verdadeira extensão das graves violações dos direitos humanos e crimes ao abrigo do direito internacional que estão a cometer” – Rebecca White
  • “O direito de protestar estende-se aos espaços digitais. Cortes gerais ou totais da Internet são desproporcionais sob o direito internacional dos direitos humanos e nunca devem ser impostos, mesmo em casos de emergência. As autoridades iranianas devem restaurar imediatamente o acesso total à Internet” – Rebecca White
  • A Amnistia Internacional está a investigar relatos de que as forças de segurança intensificaram o uso ilegal de força letal desde que impuseram o bloqueio da Internet, causando mais mortes e feridos

 

 

Na sequência de um bloqueio da Internet e das telecomunicações imposto pelas autoridades iranianas no passado dia 8 de janeiro, à medida que os protestos se intensificavam, desde que eclodiram, a 28 de dezembro de 2025, Rebecca White, investigadora do Laboratório de Segurança da Amnistia Internacional, defendeu que “as autoridades iranianas bloquearam deliberadamente, mais uma vez, o acesso à Internet no Irão, para ocultar a verdadeira extensão das graves violações dos direitos humanos e crimes ao abrigo do direito internacional que estão a cometer”.

“Este bloqueio total da Internet, não só oculta as violações dos direitos humanos, como constitui, em si mesmo, uma grave violação dos direitos humanos”, acrescentou.

“As autoridades iranianas já utilizaram anteriormente bloqueios à Internet para restringir as comunicações e o acesso à informação. Em novembro de 2019, as forças de segurança mataram ilegalmente centenas de manifestantes e transeuntes durante cinco dias de protestos, enquanto as autoridades impunham um bloqueio quase total à Internet. As autoridades voltaram a impor bloqueios à Internet durante a revolta Woman Life Freedom (Mulher, Vida, Liberdade), entre setembro e dezembro de 2022, quando as forças de segurança mataram ilegalmente centenas de manifestantes e transeuntes”, sublinhou Rebecca White.

“Este bloqueio total da Internet, não só oculta as violações dos direitos humanos, como constitui, em si mesmo, uma grave violação dos direitos humanos.”

Rebecca White

“O direito de protestar estende-se aos espaços digitais. Cortes gerais ou totais da Internet são inerentemente desproporcionais sob o direito internacional dos direitos humanos e nunca devem ser impostos, mesmo em casos de emergência. As autoridades iranianas devem restaurar imediatamente o acesso total à Internet”, apontou a responsável.

“Com relatos de um número crescente de mortes no Irão, a Amnistia Internacional reitera os seus apelos por uma ação diplomática global urgente, alertando para o risco de mais derramamento de sangue ao abrigo do apagão da Internet, que serve de cobertura para as forças de segurança que cometem graves violações”, concluiu Rebecca White.

 

Contexto

Desde 28 de dezembro de 2025, as autoridades iranianas têm levado a cabo uma repressão violenta contra manifestantes em todo o país, envolvendo o uso ilegal da força, armas de fogo e detenções arbitrárias em massa. A repressão resultou na morte de, pelo menos, 28 manifestantes e transeuntes, incluindo crianças, em 13 cidades de oito províncias entre 31 de dezembro de 2025 e 3 de janeiro de 2026.

A Amnistia Internacional está a investigar relatos de que as forças de segurança intensificaram o uso ilegal de força letal desde que impuseram o bloqueio da Internet, causando mais mortes e feridos.

Os protestos eclodiram a 28 de dezembro de 2025 na capital do Irão, Teerão, desencadeados por uma forte desvalorização da moeda e pelo aumento da inflação. Desde então, espalharam-se por todo o país, com os manifestantes a exigirem a queda do sistema da República Islâmica.

 

Perguntas Relacionadas

Por que motivo o Irão tem bloqueado o acesso à Internet nos últimos tempos?

O governo iraniano tem cortado o acesso à Internet, principalmente durante protestos e momentos de instabilidade política, como forma de ocultar violações graves dos direitos humanos, incluindo repressão violenta contra manifestantes e detenções arbitrárias. Este bloqueio impede que informações sobre abusos cheguem ao exterior e dificulta a organização de movimentos de contestação, segundo relatórios da Amnistia Internacional.

Que tipo de violações dos direitos humanos estão a ser escondidas com o bloqueio da Internet no Irão?

O corte da Internet no Irão serve para encobrir atos como execuções extrajudiciais, tortura de detidos, desaparecimentos forçados e o uso excessivo da força contra civis, incluindo mulheres e jovens que participam em protestos. A Amnistia Internacional documentou casos em que as autoridades iranianas recorreram a estas práticas durante períodos de blackout digital para evitar escrutínio internacional.

Como é que o bloqueio da Internet afeta os cidadãos iranianos no seu dia a dia?

Os cortes de Internet no Irão deixam a população sem acesso a serviços essenciais, como comunicações com familiares, informações sobre saúde ou educação, e plataformas de trabalho remoto. Além disso, a falta de conectividade isola os cidadãos, impedindo-os de denunciar abusos ou de se organizarem para exigir mudanças, agravando ainda mais a repressão estatal, de acordo com a Amnistia Internacional.

Quais são os métodos utilizados pelo governo iraniano para restringir o acesso à Internet?

As autoridades iranianas empregam várias táticas para limitar a Internet, como o bloqueio seletivo de redes sociais (como Instagram ou WhatsApp), a redução drástica da velocidade de conexão (throttling) e, em casos extremos, o desligamento total da rede em regiões ou em todo o país. Estes métodos são ativados especialmente durante protestos ou eleições, conforme relatado pela Amnistia Internacional.

Existem consequências internacionais devido ao bloqueio da Internet no Irão?

Sim, o bloqueio sistemático da Internet no Irão tem sido condenado por organizações de direitos humanos, como a Amnistia Internacional, e por vários governos, que o consideram uma violação do direito à liberdade de expressão e ao acesso à informação. Estas práticas também podem levar a sanções ou pressões diplomáticas, embora a sua eficácia dependa da resposta da comunidade internacional.

O que podem fazer os cidadãos ou a comunidade internacional para combater estes bloqueios no Irão?

A Amnistia Internacional sugere que a comunidade internacional aumente a pressão sobre o Irão através de sanções direcionadas, apoio a tecnologias que contornem a censura (como VPNs seguras) e a denúncia pública destes atos. Os cidadãos podem apoiar campanhas de sensibilização, partilhar informações verificadas sobre os bloqueios e exigir que os seus governos tomem medidas concretas para proteger os direitos digitais no Irão.

⚠️ Este painel de questões relacionadas foi criado com IA mas revisto por um humano.

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