10 Fevereiro 2026

 

  • Nova investigação da Amnistia Internacional conta as histórias de civis ucranianos que vivem com as consequências dos ataques russos massivos e incessantes, que causaram perturbações generalizadas e contínuas aos serviços essenciais
  • “A Rússia não está apenas a travar uma guerra de agressão contra a Ucrânia, está a submeter toda a população civil a uma campanha de extrema crueldade. A escala e a intensidade dos seus ataques a infraestruturas energéticas vitais indicam claramente uma estratégia para espalhar o desespero” – Agnès Callamard
  • A Ucrânia perdeu mais de metade da sua capacidade de produção e cortes de energia de emergência afetaram 80 por cento do país. Isto aconteceu num inverno em que as temperaturas caíram abaixo de -15 °C

 

 

A Amnistia Internacional documentou o impacto devastador dos ataques sistemáticos da Rússia ao sistema energético da Ucrânia numa nova série de testemunhos de sobreviventes que enfrentam um inverno rigoroso, sem aquecimento, eletricidade ou água corrente.

Com base nos testemunhos de dezenas de pessoas de todo o país, a investigação conta as histórias de civis ucranianos que vivem com as consequências dos ataques russos massivos e incessantes, que causaram perturbações generalizadas e contínuas aos serviços essenciais.

Na altura das entrevistas, muitos dos que falaram com a Amnistia Internacional tinham sobrevivido semanas com fornecimento de eletricidade intermitente ou sem eletricidade e sem aquecimento, no inverno mais frio do país desde o início da invasão russa em grande escala.

“A Rússia não está apenas a travar uma guerra de agressão contra a Ucrânia, está a submeter toda a população civil a uma campanha de extrema crueldade. A escala e a intensidade dos seus ataques a infraestruturas energéticas vitais indicam claramente uma estratégia para espalhar o desespero entre a população civil ucraniana e quebrar o seu moral”, afirmou Agnès Callamard, secretária-geral da Amnistia Internacional.

“A Rússia não está apenas a travar uma guerra de agressão contra a Ucrânia, está a submeter toda a população civil a uma campanha de extrema crueldade. A escala e a intensidade dos seus ataques a infraestruturas energéticas vitais indicam claramente uma estratégia para espalhar o desespero entre a população civil ucraniana e quebrar o seu moral.”

Agnès Callamard

“As manchetes dos jornais não conseguem transmitir a experiência de tentar sobreviver sem eletricidade, água corrente e aquecimento durante um longo e gelado inverno e no meio de ataques aéreos noturnos. Hoje, enquanto contamos essas histórias, os ataques implacáveis da Rússia continuam e as condições humanitárias na Ucrânia tornam-se cada vez mais catastróficas”, apontou a responsável.

“Desde o início da sua invasão da Ucrânia, a Rússia tem descaradamente ignorado o direito internacional, incluindo as regras que protegem os civis em tempo de guerra. Os responsáveis por crimes atrozes devem saber que esses crimes não têm prazo de prescrição. As pessoas na Ucrânia e além dela procurarão incansavelmente a verdade, a justiça e a reparação, e nós apoiá-las-emos”, disse Agnès Callamard.

Desde outubro passado, a Rússia levou a cabo várias centenas de intensos ataques aéreos de longa distância contra a Ucrânia. Em janeiro, estes ataques eram diários – e muitas vezes noturnos – e visaram toda a infraestrutura energética. Como resultado, a Ucrânia perdeu mais de metade da sua capacidade de produção e cortes de energia de emergência afetaram 80 por cento do país. Isto aconteceu num inverno em que as temperaturas caíram abaixo de -15 °C.

A Ucrânia perdeu mais de metade da sua capacidade de produção e cortes de energia de emergência afetaram 80 por cento do país. Isto aconteceu num inverno em que as temperaturas caíram abaixo de -15 °C.

Os entrevistados e os funcionários da Amnistia Internacional na Ucrânia falaram de blocos de apartamentos gelados, tubagens congeladas e rebentadas, elevadores parados, telemóveis descarregados e redes telefónicas interrompidas. Como disse uma das entrevistadas: “Neste momento, estamos em modo de sobrevivência extrema”.

Muitos residentes têm recorrido a acampamentos e fogões a querosene para aquecer tijolos e garrafas de água. Alguns têm recorrido a mecanismos de sobrevivência perigosos, como montar tendas de acampamento dentro dos seus quartos e acender velas dentro delas para combater o frio.

Svitlana, uma pensionista de Kiev, disse que, durante os apagões, aquece “um pouco de água numa chávena num fogão a querosene”, enche “duas garrafas, uma [vai] debaixo dos meus pés, a outra nas minhas mãos, para não congelar. E todos dormimos vestidos… Vestidos debaixo dos edredões, vestimos tudo o que temos”.

Há muitas pessoas, incluindo idosos e pessoas com deficiência, que estão isoladas e confinadas nos seus apartamentos, sem qualquer meio de comunicação, cujas circunstâncias são provavelmente muito piores do que as documentadas nesta investigação e que podem não sobreviver a este inverno para contar a sua história.

Há muitas pessoas, incluindo idosos e pessoas com deficiência, que estão isoladas e confinadas nos seus apartamentos, sem qualquer meio de comunicação, cujas circunstâncias são provavelmente muito piores do que as documentadas nesta investigação e que podem não sobreviver a este inverno para contar a sua história.

A Amnistia Internacional documentou violações generalizadas dos direitos humanos internacionais e do direito humanitário na Ucrânia desde o início da invasão em grande escala da Rússia, a 24 de fevereiro de 2022, incluindo crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

A invasão em grande escala da Rússia constitui uma agressão, o que é um crime ao abrigo do direito internacional. A sua estratégia e táticas, incluindo o uso contínuo de armas indiscriminadas e o abate deliberado de civis, causaram sofrimento humano generalizado e afetaram gravemente as pessoas mais vulneráveis da Ucrânia, incluindo crianças e idosos.

A escala e o padrão dos ataques aéreos russos em todo o país indicaram claramente que este país tem procurado danificar a infraestrutura energética da Ucrânia.

 

Leia a declaração pública da Amnistia Internacional em baixo (documento em inglês):

Ucrânia: “O meu problema é apenas parcial… Posso acender o gás, aquecer um tijolo e aquecer-me”. Efeitos humanitários graves dos ataques sistemáticos da Rússia ao sistema energético (Declaração pública, 10 de fevereiro de 2026)

 

Perguntas Relacionadas

Quais são as principais consequências dos ataques russos à infraestrutura energética da Ucrânia?

Os ataques russos à infraestrutura energética ucraniana têm provocado cortes prolongados de eletricidade, água e aquecimento, especialmente durante o inverno. Isto agrava as condições de vida da população, deixando milhões sem acesso a serviços básicos essenciais e aumentando os riscos para a saúde, sobretudo em hospitais e abrigos.

Como é que os cortes de energia afetam os serviços de saúde na Ucrânia?

Os cortes de energia comprometem gravemente o funcionamento de hospitais e centros de saúde, uma vez que equipamentos médicos vitais, como ventiladores e incubadoras, dependem de eletricidade. Além disso, a falta de aquecimento em temperaturas baixas põe em risco pacientes vulneráveis, incluindo recém-nascidos e doentes crónicos.

Que medidas têm sido adotadas pela população ucraniana para lidar com a falta de energia?

Muitos ucranianos recorrem a geradores portáteis, velas e aquecedores improvisados para enfrentar os cortes de energia. No entanto, estas soluções são frequentemente insuficientes e perigosas, aumentando o risco de incêndios ou intoxicação por monóxido de carbono devido ao uso inadequado de fontes de aquecimento alternativas.

Por que razão os ataques à infraestrutura energética são considerados uma violação do direito internacional humanitário?

Os ataques deliberados a infraestruturas civis essenciais, como centrais elétricas e redes de aquecimento, são proibidos pelo direito internacional humanitário, pois causam sofrimento desproporcional à população civil. Estes actos podem constituir crimes de guerra, uma vez que visam intencionalmente privar civis de condições mínimas de sobrevivência.

Quais são os grupos mais vulneráveis afetados pela destruição da infraestrutura energética na Ucrânia?

Os grupos mais afetados incluem idosos, crianças, doentes crónicos e pessoas com deficiência, que dependem de cuidados médicos contínuos e de ambientes aquecidos. Além disso, deslocados internos e famílias em abrigos temporários enfrentam condições ainda mais precárias devido à falta de acesso a serviços básicos.

Que apelos têm sido feitos pela comunidade internacional em relação a esta situação?

Organizações como a Amnistia Internacional têm exigido o fim imediato dos ataques a infraestruturas civis e pedido que a Rússia cumpra as suas obrigações ao abrigo do direito internacional. Além disso, têm sido solicitados esforços para garantir assistência humanitária urgente à Ucrânia, incluindo apoio técnico para reparar danos e proteger a população civil.

⚠️ Este painel de questões relacionadas foi criado com IA mas revisto por um humano.

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