2 Dezembro 2022

No âmbito da deslocação do primeiro-ministro, António Costa, ao Qatar, para assistir a um jogo de futebol da seleção nacional de futebol, a Amnistia Internacional – Portugal entregou na passada quinta-feira, 30 de novembro, uma t-shirt da equipa Forgotten Team (a equipa esquecida do Mundial no Qatar) ao primeiro-ministro, em solidariedade para com os trabalhadores migrantes que foram sujeitos a um ciclo de exploração e abusos de direitos humanos para que a realização do Mundial pudesse ser uma realidade. Esta “lembrança” foi deixada na residência oficial de António Costa, o Palacete de São Bento, durante a manhã de quinta-feira, depois de a organização ter efetuado inúmeros contactos para o gabinete do primeiro-ministro e não ter recebido qualquer resposta.

Ao tornar-se público o cancelamento da viagem ao Qatar por António Costa e a ida da ministra Ana Catarina Mendes em sua substituição, a Amnistia Internacional entregou a mesma camisola da Forgotten Team e uma braçadeira LGBTI+, que relembra a discriminação de que esta comunidade é alvo no país, ao Gabinete da ministra adjunta e dos assuntos parlamentares.

Kit enviado pela Amnistia Internacional – Portugal, composto pela t-shirt da Forgotten Team, braçadeira LGBTI+ e carta com uma solicitação para que não esqueçam os direitos humanos dos trabalhadores migrantes

 

Além da t-shirt e braçadeira, a organização endereçou ainda uma solicitação para que os direitos humanos sejam parte integrante das declarações, conversas e debates de Ana Catarina Mendes durante a visita e estadia que realizará ao Qatar. A Amnistia Internacional enviou o mesmo apelo ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no dia 22 de novembro.

Além da t-shirt da Forgotten Team e braçadeira LGBTI+, a Amnistia Internacional endereçou uma solicitação para que os direitos humanos sejam parte integrante das declarações, conversas e debates de Ana Catarina Mendes durante a visita que realizará ao Qatar

Com esta iniciativa, a organização recorda e sensibiliza, uma vez mais, para o difícil contexto de direitos humanos que os trabalhadores migrantes vivem no Qatar, para que as suas histórias possam ainda ter alguma hipótese de justiça. No âmbito da atual campanha #PayUpFIFA, da qual a Amnistia Internacional é parte integrante, é reiterado o apelo à Federação Internacional de Futebol (FIFA) e às autoridades qataris por um fundo de compensação aos trabalhadores explorados naquele país e às famílias das vítimas. Ao abrigo do Direito Internacional, dos Princípios Orientadores das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos, das políticas de direitos humanos da FIFA e dos seus compromissos, quer a FIFA, quer as autoridades do Qatar, devem compensar os trabalhadores migrantes e as suas famílias pelos abusos cometidos em prol da realização deste campeonato.

“Para a realização do Mundial, milhares de trabalhadores migrantes enfrentaram condições laborais inseguras, com horas de trabalho excessivas e fisicamente extenuantes, muitos acabando por perder a própria vida. Aquele que é o primeiro Campeonato do Mundo no Médio Oriente, deveria ser um momento de alegria e orgulho para todos os adeptos de futebol. No entanto, a sua preparação foi pautada por numerosas violações de direitos humanos sem que, até ao momento, os trabalhadores e as famílias enlutadas tenham sido devidamente compensados. O Mundial já decorre. A justiça não pode tardar. Este tem de ser, indiscutivelmente, um tema presente nas conversações dos líderes políticos que se deslocam ao Qatar”, refere Pedro A. Neto, diretor executivo da Amnistia Internacional – Portugal.

“O Mundial já decorre. A justiça não pode tardar”

Pedro A. Neto

Para mitigar os múltiplos abusos cometidos desde 2010, quando a FIFA concedeu direitos de acolhimento do campeonato ao Qatar sem exigir qualquer melhoria na proteção laboral, diversas organizações apelaram à federação internacional para que igualasse, pelo menos, os 440 milhões de dólares que distribui em prémios no Mundial de Futebol para cobrir vários custos de compensação e para apoiar iniciativas de proteção dos direitos dos trabalhadores no futuro. Neste sentido, a Amnistia Internacional – Portugal permanece com uma petição aberta para o estabelecimento de um programa de compensação para os milhares de trabalhadores e para as suas famílias, dirigida ao ministro do trabalho no Qatar, Ali bin Samikh Al Marri, e ao presidente da FIFA, Gianni Infantino.

“Para a realização do Mundial, milhares de trabalhadores migrantes enfrentaram condições laborais inseguras, com horas de trabalho excessivas e fisicamente extenuantes, muitos acabando por perder a própria vida”

Pedro A. Neto

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É tempo da FIFA e do Qatar compensarem os trabalhadores migrantes!

É tempo da FIFA e do Qatar compensarem os trabalhadores migrantes!

É tempo da FIFA e do Qatar compensarem os trabalhadores migrantes pelos abusos de que foram vítimas na preparação do Mundial de futebol.

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