12 Setembro 2019

Seis meses depois de as autoridades do Rio de Janeiro terem detido dois homens suspeitos de matar Marielle Franco e o seu motorista, Anderson Gomes, não foi feito qualquer avanço importante na investigação para identificar quem ordenou os homicídios e os motivos por detrás do crime.

“Renovamos o pedido às autoridades e reafirmamos o compromisso com este caso. Não descansaremos até que tudo seja esclarecido”

Jurema Werneck, diretora-executiva da Amnistia Internacional Brasil

“No dia em que nos reunimos, a 13 de março, o governador [do Rio de Janeiro] comprometeu-se a empregar esforços e recursos para chegar à resolução do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. O procurador-geral de justiça assumiu o mesmo compromisso, mas, desde então, parece que pouco foi feito para descobrir quem mandou matar Marielle e garantir que todos os envolvidos sejam levados à justiça. Isso coloca em questão o compromisso das autoridades em levar a cabo uma ação célere”, afirma a diretora-executiva da Amnistia Internacional Brasil, Jurema Werneck.

Marielle Franco era uma mulher negra, bissexual, que morava na favela. Aguerrida defensora dos direitos humanos, trabalhou incansavelmente pela dignidade das pessoas, principalmente as mais marginalizadas. Durante mais de dez anos, foi militante política e coordenadora da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde auxiliou dezenas de vítimas, incluindo polícias e os seus familiares. Além disso, desempenhou as funções de relatora da comissão que fiscalizou a intervenção federal do Exército no Rio de Janeiro em 2018.

“Renovamos o pedido às autoridades e reafirmamos o compromisso com este caso. Não descansaremos até que tudo seja esclarecido, até que todos os responsáveis por este crime – tanto os autores materiais como os mandantes – tenham sido levados à justiça num julgamento justo e até que o Estado ofereça proteção e apoio psicossocial às famílias de Marielle e Anderson”, nota Jurema Werneck.

No próximo sábado, dia 14 de setembro, completam-se 18 meses desde as duas mortes. A detenção dos suspeitos foi um passo importante para garantir justiça, mas quem instigou o crime continua em liberdade.

“Nunca é demais lembrar que o Brasil continua a ser um dos países mais perigosos para os defensores e as defensoras dos direitos humanos. Ao resolver a morte de Marielle, o Estado poderia mostrar que não vai tolerar nenhum ataque deste tipo”

Jurema Werneck, diretora-executiva da Amnistia Internacional Brasil

Este ano, a Amnistia Internacional enumerou 23 perguntas sobre o caso. Algumas continuam por responder, estando relacionadas com as conclusões das investigações realizadas pela Polícia Federal, o trajeto do carro usado no crime e, principalmente, a responsabilidade moral dos homicídios.

“Nunca é demais lembrar que o Brasil continua a ser um dos países mais perigosos para os defensores e as defensoras dos direitos humanos. Ao resolver a morte de Marielle, o Estado poderia mostrar que não vai tolerar nenhum ataque deste tipo. As autoridades precisam de transmitir uma mensagem clara de garantia de proteção para quem luta pelo que acredita: a garantia dos direitos humanos para todos”, defende Jurema Werneck.

Não vamos baixar os braços

A campanha por Marielle Franco arrancou em março de 2018. A primeira petição, que questionava quem tinham sido os responsáveis pela sua morte, recolheu 800 mil assinaturas em todo o mundo. O documento foi entregue ao governador do Rio de Janeiro e ao presidente da República, Jair Bolsonaro, em março de 2019, no dia em que se assinalou um ano do crime.

Em abril, após a detenção dos suspeitos, a Amnistia Internacional organizou uma nova ação para pressionar as autoridades a seguirem com as investigações até que todos os envolvidos sejam identificados. Esta segunda petição já soma mais de 4300 assinaturas em Portugal.

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Marielle Franco: assassinada por defender os direitos humanos

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