14 November 2022

A FIFA continua a “jogar feio” e a cometer sucessivas “grandes penalidades” sobre os trabalhadores migrantes que sofreram às mãos das autoridades do Qatar. A menos de uma semana para o arranque do Campeonato no Mundo de Futebol, o silêncio de Gianni Infantino, presidente da FIFA, continua a colocar os direitos humanos “fora de jogo”, tal como as devidas compensações aos trabalhadores migrantes.

“A menos que quebre o seu silêncio sobre a questão da compensação, Gianni Infantino parece decidido a recusar uma oportunidade de ouro para deixar um legado do Campeonato do Mundo que respeite e honre os trabalhadores que o tornaram possível. Foram-lhe apresentadas inúmeras provas sobre as consequências dos últimos doze anos para os trabalhadores migrantes, e uma proposta concreta para ajudar as vítimas e as suas famílias a reconstruir as suas vidas, pelo que a mensagem de Zurique e Doha não pode ser simplesmente focada no futebol”, disse Steve Cockburn, responsável de Justiça Económica e Social da Amnistia Internacional.

“A FIFA não pode usar o espetáculo do Campeonato do Mundo para se esquivar às suas responsabilidades. Tem o dever claro para com as centenas de milhares de trabalhadores que sofreram enquanto construíam os estádios e as infraestruturas necessárias para o torneio. Um compromisso público para com um fundo de compensação representaria um grande passo em frente”

Steve Cockburn

“A FIFA não pode usar o espetáculo do Campeonato do Mundo para se esquivar às suas responsabilidades. Tem o dever claro para com as centenas de milhares de trabalhadores que sofreram enquanto construíam os estádios e as infraestruturas necessárias para o torneio. Um compromisso público para com um fundo de compensação representaria um grande passo em frente. O tempo escasseia, mas ainda não é demasiado tarde para que a FIFA faça o que está certo”.

Em maio de 2022, a Amnistia e uma coligação de organizações lançaram uma campanha apelando ao Qatar e à FIFA para estabelecerem um programa abrangente de reparação para as centenas de milhares de trabalhadores que enfrentaram abusos, tais como taxas de recrutamento ilegais, salários não pagos, ferimentos e, nos piores casos, a morte. Até à data, Gianni Infantino não deu qualquer resposta a uma carta conjunta enviada pela coligação sobre o lançamento da campanha, enquanto evitava a questão da indemnização em público.

A proposta de reparação ganhou um apoio generalizado, de mais de uma dúzia de federações de futebol, incluindo as de Inglaterra, Alemanha, França, Holanda e EUA. Embora a liderança da FIFA tenha reconhecido a importância da compensação, o organismo futebolístico e o seu presidente ainda não assumiram qualquer compromisso público. Uma sondagem global realizada pela Amnistia em 15 países revelou que 84% dos prováveis espectadores do Mundial também são a favor da proposta.

 

Contexto

A 4 de Novembro, Gianni Infantino endereçou uma carta a todas as 32 nações concorrentes no Campeonato do Mundo de 2022, instando-as a “concentrarem-se no futebol” e a colocarem de lado as preocupações com os direitos humanos. Seguiram-se comentários do Ministro do Trabalho do Qatar, rejeitando a campanha da Amnistia como uma “manobra publicitária”.

A Amnistia Internacional apela à FIFA e ao Qatar para que se comprometam publicamente a estabelecer um programa de reparação de todos os abusos relacionados com a preparação e entrega do Campeonato do Mundo e para o financiamento de programas destinados a evitar novos abusos. Posteriormente, a FIFA e o Qatar devem trabalhar em conjunto com outros; incluindo trabalhadores, sociedade civil, sindicatos e a Organização Internacional do Trabalho para definir os pormenores e a execução do programa.

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É tempo da FIFA e do Qatar compensarem os trabalhadores migrantes!

É tempo da FIFA e do Qatar compensarem os trabalhadores migrantes!

É tempo da FIFA e do Qatar compensarem os trabalhadores migrantes pelos abusos de que foram vítimas na preparação do Mundial de futebol.

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