3 Junho 2019

No 30.º aniversário do massacre da Praça de Tiananmen, a Amnistia Internacional organizou uma vigília pelos manifestantes mortos ou feridos às mãos do Exército Popular de Libertação. A ação teve lugar, esta segunda-feira, na Avenida 24 de Julho, em Lisboa.

“Um primeiro passo em direção à justiça seria permitir que as pessoas na China, incluindo os pais idosos cujos filhos foram mortos durante esse movimento de repressão, lembrassem as vítimas”

Roseann Rife, diretora de Investigação para a Ásia Oriental da Amnistia Internacional

Na China Continental, continua a ser impossível lembrar e honrar as vítimas de Tiananmen. As últimas semanas provam isso, já que a polícia deteve, colocou sob prisão domiciliária e ameaçou dezenas de ativistas que pretendiam assinalar a data.

“Trinta anos depois do banho de sangue de Tiananmen, o mínimo que as vítimas e as suas famílias merecem é justiça. No entanto, o presidente Xi continua a ler o mesmo manual político, perseguindo cruelmente aqueles que procuram a verdade sobre a tragédia”, afirma a diretora de Investigação para a Ásia Oriental da Amnistia Internacional, Roseann Rife.

“O governo chinês deve aceitar que nenhuma repressão jamais apagará o horror do massacre que aconteceu na Praça de Tiananmen e ao seu redor. Um primeiro passo em direção à justiça seria permitir que as pessoas na China, incluindo os pais idosos cujos filhos foram mortos durante esse movimento de repressão, lembrassem as vítimas”, completa a mesma responsável.

O massacre de Tiananmen aconteceu de 3 para 4 de junho de 1989, na Praça da Paz Celestial, em Pequim. As centenas ou milhares de vítimas eram, maioritariamente, jovens estudantes que pediam reformas políticas no país.

Censura hoje como em 1989

Quaisquer referências à repressão de Tiananmen são censuradas, sistematicamente, na China. Quem procura lembrar as vítimas assume um grande risco pessoal e é provável que seja perseguido ou detido. Em abril, Chen Bing foi condenado a três anos e meio de prisão, depois de, juntamente com outros três ativistas – Fu Hailu, Luo Fuyu e Zhang Junyong –, terem sido considerados culpados de “provocar problemas” por assinalar o aniversário do massacre de Tiananmen através de uma edição especial de um licor chinês.

No passado dia 18 de maio, o ativista Deng Chuanbin, de Sichuan, foi detido. Tudo leva a crer que esta medida está relacionada com um tweet que postou sobre os protestos de Tiananmen.

“O presidente Xi continua a ler o mesmo manual político, perseguindo cruelmente aqueles que procuram a verdade sobre a tragédia”

Roseann Rife, diretora de Investigação para a Ásia Oriental da Amnistia Internacional

Mais recentemente, no dia 20 de maio, a polícia ordenou que Ding Zilin, de 82 anos, deixasse Pequim e viajasse mais de 1100 km até à sua cidade natal de Wuxi, na província de Jiangsu. O filho, Jiang Jielian, foi uma das vítimas de Tiananmen, quando tinha apenas 17 anos. Esta tática das autoridades chinesas obrigarem ativistas a refugiarem-se longe dos centros urbanos é comum, de forma a silenciá-los nos períodos politicamente mais sensíveis. Ding Zilin é uma das fundadoras das Mães de Tiananmen. Nas últimas semanas, outros membros do grupo foram colocados sob vigilância policial.

A repressão sobre aqueles que pretendem assinalar os 30 anos do massacre de Tiananmen é o mais recente ataque contra as liberdades na China. Sob o governo do presidente Xi, as autoridades dizimaram a atividade de advogados e ativistas dos direitos humanos que pedem reformas políticas e jurídicas. Há registo de prisões arbitrárias, detidos sem direito a comunicar com o exterior, tortura e outros maus-tratos.

A Amnistia Internacional reitera o apelo ao governo chinês para:

  • Reconhecer, publicamente, as violações dos direitos humanos que ocorreram na repressão de Tiananmen, em 1989;
  • Lançar um inquérito, aberto e independente, e responsabilizar quem esteve envolvido nas violações dos direitos humanos;
  • Atribuir compensações às vítimas da repressão de 1989 e às suas famílias;
  • Deixar de perseguir e processar aqueles que protestam contra ou assinalam os acontecimentos de Tiananmen, em 1989, e quem, de uma forma geral, exerce os seus direitos humanos de liberdade de expressão e reunião pacífica.
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