16 Agosto 2018

(Artigo atualizado a 16 de agosto de 2018 às 17h50)

O presidente honorário da Amnistia Internacional na Turquia, Taner Kiliç, está finalmente em liberdade, ao fim de mais de 14 meses encarcerado, em cumprimento de decisão emitida por um tribunal de Istambul na quarta-feira, 15 de agosto.

“Estamos extremamente felizes com esta notícia. Foi preciso mais de um ano de campanha e luta incansáveis para chegarmos aqui, mas Taner está finalmente em liberdade e em segurança de volta aos braços da mulher e das filhas”, congratulou-se o recém-empossado secretário-geral da Amnistia Internacional, Kumi Naidoo.

“Foi preciso mais de um ano de campanha e luta incansáveis para chegarmos aqui, mas Taner está finalmente em liberdade e em segurança de volta aos braços da mulher e das filhas.”

Kumi Naidoo, secretário-geral da Amnistia Internacional

O líder da organização de direitos humanos frisa, porém, que “para além dos sorrisos de felicidade e de todo este alívio, permanecem as emoções de tristeza, de raiva e uma determinação inabalável”. “Tristeza por tudo aquilo que Taner perdeu durante o seu cruel encarceramento. Raiva por as acusações infundadas com que foi visado, assim como os 10 de Istambul, não terem sido ainda anuladas. E determinação em continuarmos a nossa luta pelos direitos humanos na Turquia e pela libertação de todos os defensores de direitos humanos, todos os jornalistas e todos os demais que foram injustamente atirados para as prisões na perversa repressão”, explica.

“Para além dos sorrisos de felicidade e de todo este alívio, permanece a determinação inabalável em continuarmos a nossa luta pelos direitos humanos na Turquia e pela libertação de todos os defensores de direitos humanos, todos os jornalistas e todos os demais que foram injustamente atirados para as prisões na perversa repressão.”

Kumi Naidoo, secretário-geral da Amnistia Internacional

“Hoje [15 de agosto] celebramos, mas amanhã voltamos à luta, revitalizados pelo exemplo que nos é dado pelo próprio Taner: um homem que sabe bem a importância dos direitos humanos e que está decidido a dedicar a sua vida a defendê-los.

“A justiça prevalecerá”

Taner Kiliç agradeceu aos seus apoiantes e expressou estar esperançoso de que a campanha feita para obter a sua liberdade ajude a dar visibilidade à situação em que se encontram outras vítimas das perseguições politicamente motivadas na Turquia.

“Acredito que a campanha pela minha libertação ajudou a tornar visíveis todas as pessoas que foram vítimas das perseguições injustas e politicamente motivadas na Turquia”, frisou Taner Kiliç após a sua saída da prisão. “Tenho esperança de que a justiça prevaleça e todos tenham um julgamento justo”, avançou.

“Acredito que a campanha pela minha libertação ajudou a tornar visíveis todas as pessoas que foram vítimas das perseguições injustas e politicamente motivadas na Turquia.”

Taner Kiliç, presidente honorário da Amnistia Internacional Turquia

O julgamento de Taner Kiliç prossegue a 7 de novembro próximo. O presidente honorário da Amnistia Internacional Turquia foi detido em junho de 2017 com base em acusações de “pertença a organização terrorista” – foi acusado de usar uma aplicação de mensagens encriptadas chamada ByLock, que o Governo turco sustenta ser utilizada por membros do grupo de Fethullan Gülen (antigo imã a quem as autoridades turcas atribuem ter arquitetado a tentativa de golpe de Estado, em julho de 2016). Mas, pelo menos dois relatórios policiais e quatro análises forenses independentes atestaram já que não existe nenhum vestígio da ByLock no telemóvel de Taner Kiliç.

“Apesar de não existir nenhuma razão para o meu encarceramento, estive atrás das grades durante mais de 14 meses. Fui posto na prisão mesmo sem ter usado a ByLock. Só espero que não tenha sido em vão e que o conhecimento público gerado no mundo inteiro venha a ajudar outras pessoas a terem julgamentos justos na Turquia”, desejou.

“A todos que me enviaram tantas cartas do mundo inteiro – os cartões que me chegaram do Canadá ao Japão, da Noruega ao Benin – quero expressar a minha profunda gratidão.”

Taner Kiliç, presidente honorário da Amnistia Internacional Turquia

Taner Kiliç agradeceu toda a solidariedade internacional que lhe foi dirigida. “A todos que me enviaram tantas cartas do mundo inteiro – os cartões que me chegaram do Canadá ao Japão, da Noruega ao Benin – quero expressar a minha profunda gratidão”.

“Enquanto estive na prisão, isto deu-me ânimo e recordou-me da importância da solidariedade internacional na luta pelos direitos humanos. Passar 14 meses atrás das grades é muito tempo. Ainda me sinto um pouco atordoado. Acho que vou precisar de algum tempo para processar tudo o que aconteceu, mas esta é a melhor celebração do Eid [al-Fitr, que marca o fim do Ramadão] que poderíamos desejar”.

  • 10 milhões

    Existem cerca de 10 milhões de pessoas presas no mundo inteiro, em qualquer momento.
  • 3,2 milhões

    Estima-se que 3,2 milhões de pessoas que se encontram na prisão ainda aguardem julgamento.

BRAVE – A nossa coragem por todos os defensores de direitos humanos!

BRAVE – A nossa coragem por todos os defensores de direitos humanos!

A nova campanha da Amnistia Internacional, por todos os defensores de direitos humanos. Tenha coragem, atue connosco!

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