13 Maio 2018

Um cada vez mais forte ativismo global é crucial para exercer pressão sobre as autoridades do Brasil para a resolução do assassinato da defensora de direitos humanos e vereadora municipal Marielle Franco e do seu motorista Anderson Gomes, sustenta a Amnistia Internacional ao assinalarem-se dois meses desde que ambos foram mortos a tiro no Rio de Janeiro, a 14 de março passado.

“Sem solidariedade internacional, receamos que o trágico assassinato de Marielle não seja resolvido. Passados estes dois meses, temos de continuar a mobilização para mostrarmos às autoridades brasileiras que as pessoas aqui e por todo o mundo não descansarão até que seja feita justiça”, frisa a diretora executiva da Amnistia Internacional Brasil, Jurema Werneck.

“Temos de continuar a mobilização para mostrarmos às autoridades brasileiras que as pessoas aqui e por todo o mundo não descansarão até que seja feita justiça.”

Jurema Werneck, diretora executiva da Amnistia Internacional Brasil

Esta responsável da organização de direitos humanos lembra que “cada dia que passa sem desenvolvimentos lança novas dúvidas sobre a eficácia da investigação”. “Não podemos permitir que este caso fique sem resolução.  Quem matou Marielle e Anderson e quem os mandou matar? Estas perguntas não podem ficar sem resposta”, exorta ainda.

“Agradecemos a seriedade com que a investigação tem vindo a ser conduzida e esperamos que assim continue até termos respostas concretas, não apenas para a família mas para o mundo inteiro. Temos de continuar a lutar por isso”, juntou, por seu lado, a mãe de Marielle Franco, Marinete da Silva.

Renomada defensora de direitos humanos, Marielle era largamente conhecida por defender os direitos da comunidade lésbica, gay, bissexual, transgénero e intersexual (LGBTI) e das mulheres negras, assim como por denunciar abusos da polícia e execuções extrajudiciais nas favelas do Rio de Janeiro. Marielle Franco foi eleita vereadora municipal em 2016 e, alguns dias antes de ser morta, fora nomeada relatora especial do comité que supervisiona a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro.

“Enquanto tivermos forças exigiremos justiça e fá-lo-emos nas ruas e nos espaços públicos.”

Anielle Francisco da Silva, irmã de Marielle Franco

Marielle Franco e Anderson Gomes foram mortos à saída de um debate público a 14 de março. Foram disparados pelo menos 13 tiros, e quatro das balas atingiram Marielle na cabeça. Informações recentemente divulgadas por órgãos de comunicação social brasileiros avançam que cinco câmaras de segurança que teriam captado imagens do incidente foram desligadas na véspera dos assassinatos.

“Enquanto tivermos forças exigiremos justiça e fá-lo-emos nas ruas e nos espaços públicos. A minha irmã era da resistência e é assim que nós seremos até ao fim”, declarou a irmã de Marielle, Anielle Francisco da Silva.

Petição assinada já por 12 000 pessoas

O pai de Marielle, António Francisco da Silva Neto, lembra que “ela era destemida”. “Ela não se escondia. Estava sempre na linha da frente, enfrentando tudo de cabeça erguida. Era muito valente e corajosa. Quem a matou é justamente o oposto”.

“Ela não se escondia. Estava sempre na linha da frente, enfrentando tudo de cabeça erguida.”

António Francisco da Silva Neto, pai de Marielle Franco

A morte de Marielle Franco provocou manifestações maciças no Brasil e por todo o mundo. Mais de 12 000 pessoas assinaram já a petição da Amnistia Internacional que exige uma investigação independente e imparcial.

Noutra mostra de forte solidariedade, no mês passado, a Amnistia Internacional Portugal organizou em Lisboa uma conversa aberta sobre as graves ameaças à vida e às liberdades fundamentais com que se confronta quem defende os direitos humanos no Brasil – com testemunhos que identificaram Marielle Franco como uma luz no meio da violência.

“Quem mata defensores de direitos humanos tenta silenciar-nos. E a impunidade alimenta este terrível ciclo de violência, pondo outros ativistas e líderes comunitários em risco. Exortamos as autoridades a garantirem que a investigação é completa e eficaz e apelamos a todas as pessoas para assinarem a nossa petição que faz essa mesma exigência por justiça. Devemo-lo a nós próprios e a Marielle”, remata Jurema Werneck.

  • Artigo 19

    A liberdade de expressão é protegida pelo Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas.

Justiça para Marielle Franco!

Justiça para Marielle Franco!
513 PESSOAS JÁ AGIRAM
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